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O guarda escolar pode ser a solução

O guarda escolar pode ser a solução

Quem tem mais de 50 se lembra bem da figura de um guarda, que ficava na porta da escola, controlando trânsito, vigiando abusos, de olho nos meninos mais exaltados, garantindo a paz dos professores. Os tempos mudaram, a polícia foi motorizada, vieram os teóricos e suas teses de que a ronda tem de ser móvel, acabaram com o chamado PPO – Posto de Policiamento Ostensivo, e o guarda virou coisa do passado. Mas, se as ocorrências dentro e fora dos estabelecimentos escolares não apenas se repetem como também se tornam cada vez mais graves, por que então não pensar na volta daquela figura do guarda?

Eu tenho perguntado com alguma insistência, no rádio e na TV, e não aparece uma alma bondosa da Polícia Militar para – pelo menos – dizer que estou errado. Consultado, o governador disse gostar da idéia, ressaltando, no entanto, que o comando da PM é contra. Por quê? Um juiz militar, que já foi comandante do Gabinete do Governador, o coronel James Ferreira, endossa e até dá a dica: é só o governador aproveitar que já existe decreto abrindo a possibilidade de se aproveitar militares reformados, mediante acréscimo de percentual em sua remuneração... Vale lembrar, diante dessa lembrança, que não há perspectiva de novos concursos na Corporação, considerando o aperto do caixa do governo. Então, por que não?

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia, Durval Ângelo, apóia integralmente. Outro deputado, João Vitor Xavier, apresentou projeto criando a figura da guarda escolar. Façamos uma experiência em Belo Horizonte. A guarda municipal cuida das escolas da Prefeitura – onde a violência já diminuiu – e o Estado coloca um homem por turno nas escolas de sua responsabilidade. Se o comandante da PM não quiser, paciência. Mas que ele dê alguma solução para o triste quadro que inclui até aluno chutando o traseiro de diretora.

 Não somos especialistas e nem queremos traçar estratégias que são atribuições de quem comanda, mas, temos a obrigação de exigir providências. É o mínimo que podemos fazer diante de tanto medo, tanta ameaça, tanta agressão nas escolas. Sempre lembrando que o mesmo guarda teria múltiplas funções: além de controlar o trânsito, evitar a fila dupla e os atropelamentos, ele vai inibir a ação de traficante e outros criminosos e, conhecendo a comunidade escolar de perto, naturalmente vai monitorar alunos mais problemáticos e fazer a interlocução entre seus pais e responsáveis e o corpo docente da escola. É simples ou não é?