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O genocida

O Supremo Tribunal Federal decidiu, ontem, absolver o ex-presidente da República Fernando Collor de Mello do crime de peculato..

25/04/2014 às 11:21

O Supremo Tribunal Federal decidiu, ontem, absolver o ex-presidente da República Fernando Collor de Mello do crime de peculato (desvio de dinheiro público), falsidade ideológica e corrupção passiva por falta de provas. A ação penal tramitava na justiça desde 2000, chegou à corte em 2007 e diz respeito ao período em que ele ficou na presidência da República, nos anos de 1991 e 1992. O ministro que cuidava do caso morreu, a acusação de falsidade ideológica prescreveu e o Brasil continua sem entender como um homem retirado do Palácio do Planalto pela porta dos fundos voltou à política e em Brasília recebe afagos de Sarney, Dilma, Lula, todos os que fazem parte do jogo de poder.

Tivesse eu o saber jurídico ou dinheiro o bastante para contratar o melhor dos advogados teria o processado há 20 anos por genocídio. Afinal, vejamos o que diz o dicionário sobre esse crime:  “É o extermínio ou a desintegração de uma comunidade pelo emprego deliberado da força, por motivos raciais, religiosos ou políticos, entre outros”. Para a ONU, esse tipo de agressão configura-se como delito contra a humanidade. Ora, o que fizeram Collor e sua ministra da Economia, Zélia Cardoso de Melo, não foi o extermínio de milhares, talvez centenas de milhares, de brasileiros naquele 15 de março de 1991, quando anunciaram o confisco da poupança.

Eu estava lá, fui sorteado para fazer uma das 30 perguntas a Zélia e, depois da coletiva, passei o resto do dia em contato com a redação da Rádio Itatiaia trocando ideias e tentando explicar para o público o que acontecia num dia de confusão absoluta na economia brasileira e na cabeça das pessoas. Mas, o tempo todo, pensava no meu pai e, à noite, quando liguei, minha mãe disse que ele estava no banheiro. Pela vigésima ou trigésima vez. Matuto, de poucas letras, captou o que muito intelectual tentava assimilar: todos os trocados estavam bloqueados.

Depois de uma vida inteira de trabalho como caminhoneiro, daqueles que acordam de madrugada e visitam as fazendas para transportar o leite,finalmente se aposentara e juntara o pouco que tinha para comprar uma rocinha. E Collor levou. Exatamente Collor, em quem tanto acreditava e que, segundo meu pai, iria mudar o país. De tanto eu falar com ele que aquele homem era doido, tinha comportamentos de psicopata (como descer 13 andares do prédio da Federação do Comércio no centro de Belo Horizonte, correndo, pela escada, só para fugir dos jornalistas), meu pai resolveu dividir o pouco que tinha entre o “over night” – um investimento maluco, que corrigia a inflação toda noite – e a poupança. Eu queria era tudo na poupança, por achar que ali Collor não mexeria. Pois, o infeliz confiscou tudo, causou uma decepção sem limites e fez do meu pai um homem triste por sete meses... Até sucumbir. Não foi o único. Você, caro leitor, com certeza conhece alguém que tem um caso na família para contar. Duvido que Collor pague aqui, mas, a vida continua...

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