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O fundo do poço é logo ali

O fundo do poço é logo ali

Três ocorrências dos últimos dias em Belo Horizonte mostram, com muita clareza, o quanto estamos no limite do suportável quando o assunto é a nossa insegurança coletiva. O assassinato de Bárbara, de 22 anos, perto de se formar em Relações Públicas, na Cidade Nova, é um daqueles socos que levamos na boca do estômago e exigem tempo de assimilação. A moça só queria deixar o namorado na porta da casa dele, mas foi surpreendida por um revólver na cabeça e, como assustou – qualquer humano assusta – recebeu um balaço na cabeça.

É mais uma nas estatísticas. Se o carro dela tivesse sido levado, seria mais um dos que estão sendo desmanchados agora por muitos ferros-velhos ilegais que existem por aí. Se forem presos, os assassinos vão ganhar a liberdade rapidamente, como aconteceu com os meninos e o rapaz (17, ao todo) que ocupam numa casa da Rua Rio Grande do Norte, na Savassi, e estão infernizando a região. O maior foi solto porque a delegada não encontrou provas. Alguns dos meninos foram liberados porque não havia vagas para interná-los e dois deles, os mais perigosos, pularam do carro do conselho tutelar que os conduzia e sumiram prometendo voltar a atacar carros e pedestres. Esta é segunda ocorrência que nos dá conta de que não aguentamos mais.

A terceira? Bom, é ainda mais nojenta porque existem fortes indícios de que um cabo e um soldado da Polícia Militar fizeram sim uma barbaridade sem limites na Vila Cemig, em Contagem. De acordo com as denúncias, enquanto um deles espancava o marido, o outro violentou a mulher, que está grávida. E eu pergunto: como fica a cabeça de um comandante de policiamento, que tem de pegar os matadores de Bárbara, convencer (sem brigar) o governo de que a delegada, o conselho tutelar, o promotor, o juiz, todos têm de fazer sua parte para retirar das ruas os que tiram a paz da maioria e, paralelamente, precisa chegar perto de dois colegas de farda e perguntar se são, realmente, monstros repugnantes?

E fica tudo na mão do coronel, enquanto o prefeito discute eleição, o governador festeja o título atleticano, os jornalistas fazem congresso, os advogados discutem a lei, os congressistas ignoram a lei,... Resumindo: não me conformo de perceber que a sociedade brasileira não percebe a gravidade do momento: ou a gente decreta tolerância zero, cria uma cultura de paz ou, quando quiser mudanças, já não poderá ir para a reunião com os amigos... Os bandidos estarão no caminho.