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O feriadão dos poderoso

O feriadão dos poderoso

06/05/2013 às 02:13

Perguntem ao brasileiro quais são os nossos três maiores problemas e eles certamente incluirão a sensação de impunidade. Perguntem a um representante do judiciário por que os pagadores de impostos - que bancam seus ótimos salários e sua invejável estrutura de gabinete - não conseguem a resposta para suas aflições e a justificativa virá na ponta da língua: o número de processos é muito superior à capacidade dos magistrados, desde a mais alta corte até a primeira instância.

Perguntem aos céus por que há tanta distância entre os discursos e a prática e, quem sabe, os anjos nos dirão. O nosso judiciário, a exemplo do legislativo e do executivo, não pode cheirar um feriado na quinta ou na terça que promove a emenda da sexta ou da segunda, incluindo o sufixo “ao” no recesso. Mas, não é só. De vez em quando a gente vai a uma repartição e descobre que está de portas fechadas porque é data especial, como “Dia do Advogado”. Agora, a de hoje me parece inédita. O Tribunal de Justiça decidiu que o Fórum Lafayette não terá atendimento por causa da posse da nova direção do TJ. Eu sei que terão mil desculpas, do tipo precisamos da casa para a solenidade, que só começa ao cair da tarde.

Nada, nada me parece mais urgente que atender às pessoas. Nada me parece mais honesto que realizar as audiências, aguardadas por anos... Aquela senhora que esperava resolver hoje a guarda do filho, com a respectiva pensão, vai ficar sabendo que terá de voltar, quando a agenda permitir, quem sabe em 2016; o mesmo acontecerá com muitos que esperam a liberdade de um filho, a conclusão de um inventário ou qualquer desfecho de litígio.

Felizmente, não sou o único que está aborrecido com essa situação. O advogado de Antônio de Moura Nunes Neto diz que  “tal abjeta e teratológica decisão desprezou o fato das centenas de audiências há muito designadas para esse mesmo dia, notadamente as que ocorrem nas varas de família, em flagrante e inaceitável prejuízo aos cidadãos, que já contam com uma máquina judiciária velha e emperrada”. Também para ele, trata-se de “um acinte, um verdadeiro acinte, quando sabemos todos que essa arcaica solenidade poderia ocorrer em local diverso, como, por exemplo, na Cidade Administrativa, no Palácio das Artes, Minascentro, etc”.

Sinceramente, eu quero animar as pessoas que insistem na velha cantilena de que justiça neste país existe só para quem tem dinheiro, mas, todo dia, os que degustam as benesses do poder, me dão mais prova de que ignoram o sofrimento dos humildes.

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