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O fantasma do dragão

Os mais jovens não viveram o sufoco pelo qual passamos nas últimas décadas do século XX.

28/07/2014 às 10:14

Na semana passada, quando foram divulgados os dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, com o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, o governo brasileiro reclamou, dizendo que se os números fossem computados conforme seu entendimento, o país subiria do 79º para o 67º lugar no ranking. De qualquer forma, estamos mal numa lista que mede fatos importantes sobre expectativa de vida, educação e saúde em todo o planeta. Mas, se a nossa realidade não é a ideal, pelo menos há o consolo de que estamos melhorando nos últimos 20 anos – concordaram todos os especialistas, inclusive os da ONU. Repararam que, exatamente neste mês, estamos celebrando as duas décadas do Real? É ou não verdade que, além dos aspectos puramente econômicos, a moeda estável permite as políticas sociais (como o Fome Zero), melhora a inclusão e a qualidade na educação e, em consequência, melhora as vida das pessoas?

Os mais jovens não viveram o sufoco pelo qual passamos nas últimas décadas do século XX, com tabelamentos de preços, congelamento de salários, mudanças de nomes de nosso dinheiro e sucessivos cortes de zeros na moeda, que virava cruzeiro, cruzado, URV... Eram tempos de efeitos nefastos da inflação. Acredite: em 1993, ano anterior ao surgimento do Plano Real, ela chegou a 2.477 por cento. Era loucura. O que mais se via dentro de um supermercado era a máquina de remarcação de preços e, quando recebia um salário, o cidadão corria para as compras porque, no dia seguinte, já não compraria o mesmo número de latas de óleo de soja ou pacotes de arroz.

O Brasil ainda é dos países mais caros do mundo, a nossa média anual de inflação – em torno de 8 por cento – está distante dos padrões de nações desenvolvidas, mas, seguramente, ninguém tem saudades daqueles tempos nos quais o salário perdia a metade de seu poder de compra entre o início e o fim do mês. Tudo mudou. Para melhor. Mas, hoje, uma luz amarela está acesa. Desde 2010, a inflação permanece acima do centro da meta oficial que é de 4,5 por cento ao ano. Nos últimos meses, o índice aproxima-se perigosamente do teto aceito que é de 6,5. Todas as famílias têm sentido os efeitos do reajuste dos preços, que já diminuem o poder de compra dos que vivem de salário. Também não são poucos os que estão mudando hábitos de consumo.

A agravante é que, além da majoração desenfreada, os preços estão nas alturas. Alguns surreais. Tanto que, recentemente, quando a Copa acabou, todas as pesquisas indicaram que os estrangeiros adoraram nossa gente, nossa comida, a beleza natural de nosso país, mas, em sua grande maioria, ficaram assustados com os preços. Então, que cada um de nós faça a sua parte, para não perdermos os ganhos com o Plano Real. Afinal, a derrota da hiperinflação representou muito para a economia, foi uma nova fase de prosperidade para todos, mas, especialmente, os mais pobres, que não têm assessoria e nem mecanismos para sofrer menos com o dragão.
   

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