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O desencanto da massa

O desencanto da massa

06/05/2013 às 02:13

Hoje, quero falar de futebol. Mas, por favor, não me tome por cronista esportivo ou alguém metido a entender de técnica e tática. Não, quero falar como torcedor – uma das características que me fazem parte de quase 200 milhões que habitam o país pentacampeão do mundo da bola. Quero, melhor, preciso, falar de um sentimento que me angustia e só aumenta quando atleticanos históricos compartilham o lamento e se afastam dos campos de futebol, se distanciam da TV e, creiam, até desligam o rádio durante as apresentações do Galo. Sou dos anos 50, época em que a maioria dos meninos da capital e adjacências nascia atleticana. Eu nasci exceção, embora ainda não soubesse. Sofria forte influência de avós, pais, irmãos, primos, todos, literalmente todos da família eram e são cruzeirenses. Mas, bastou que um rapaz, criado por meu pai alguns anos, me levasse ao Mineirão para assistir a um jogo do Atlético para que eu me decidisse imediatamente. E foi uma época terrível, afinal, o Cruzeiro começava seus anos de ouro com Felício Brandi e Carmine Furletti montando um time inesquecível. Tão bom que, certa vez, diante de 100 mil pessoas (eu, inclusive) o meu Galo fez três a zero no começo do segundo tempo e o Cruzeiro ainda empatou. Veio a conquista do Brasileirão, em 71, e a paixão aumentou, mesmo diante de um time cada vez mais forte do principal rival. Na segunda metade dos anos 70, com Reinaldo, Cerezo e outros mágicos, a alegria estava de volta à massa, mas, já não ganhávamos realmente nada importante. No começo da década passada, naquele time de Marques e Guilherme, novo sopro de esperança. E caímos definitivamente no vale das lágrimas. Chega a ser inacreditável como não conseguimos ter um lateral bom, um goleiro realmente confiável, um meio campo efetivamente criativo e um ataque capaz de nos oferecer perspectiva de show. Impressionante como entra ano sai ano e a gente tem de aguentar jogadores absolutamente inexpressivos, desinteressados, gordos, lesados... Teve um, Jameli, que veio, tratou-se e foi embora sem jogar. E são tantos os exemplos. Melhor resumir: há mais de uma década o Galo não consegue convencer que disputará uma Copa Libertadores, que vencerá o Brasileirão. Vamos falar a verdade: ganhou o Mineiro do ano passado porque o “Professor Pardal” que dirigia o rival escalou time misto contra o Ipatinga e ficou fora da final. Mas, não quero falar de jogadores ridículos ou contratações inaceitáveis. Preciso desabafar, falar é de paixão... Quando se gosta de futebol, a gente não está só; a gente é parte de uma paixão mundial - lembro-me que a primeira coisa que vi no maior prédio de Xangai, na China, foi uma foto gigante do Ronaldinho Fenômeno. Alguém já disse que futebol é mais que um esporte – é um ideal de vida. E quando a gente olha para a história do Atlético, pensa sobre seu hino (vencer, vencer,  vencer, esse é o nosso ideal) percebe a diferença entre o Clube Atlético Mineiro e outros times de futebol. É só reler Roberto Drumonnd, para quem o “primeiro e único mandamento de um atleticano é ser fiel e amar o Galo sobre todas as coisas”. O grande cronista mineiro também decretou que, “Se houver uma camisa branca e preta pendurada no varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento”. Como honrar a memória de um apaixonado como esse se olhamos para a “Arena do Jacaré” e vemos um atacante que só aguenta jogar meio tempo (tem câimbras) , dois gordos que vieram do exterior já na condição de aposentados e um lateral direito recém-saído das categorias de base onde jogava no meio que, indagado pelo repórter antes de a bola rolar, declarou inocentemente: “Aí, o técnico me perguntou se já tinha jogado de lateral direito, eu disse que não, mas ele falou hoje vai... E estou aqui”. Alguém, na Cidade do Galo, precisa ouvir o treinador de futebol americano, Paul Bryant, para quem “não é a vontade de vencer que importa – todo mundo tem isso; o que importa é a vontade de se preparar para vencer”. Embora não sejamos frequentadores do CT, a gente percebe, de longe, que não houve a preparação, a mentalização necessária. E nos dão razão, quando dizem que dois jogadores vinham tumultuando o ambiente há muito tempo. Não falta só preparação. É só olhar no meio-campo que há um “craque” que não desabrocha há dez anos e continua caminhando, passeando, com contrato renovado até 2014. Nada pessoal contra atletas e dirigentes que nos desencantam, mas, como pessoas públicas, têm de ouvir uma verdade dita por Rogério Silvério de Farias: “Futebol, esporte insano jogado por uns tipos semelhantes a escravos e gladiadores, apreciado por hordas de fanáticos ensandecidos e organizado por maltas de espertalhões”. Essa gente que recebe dinheiro do Galo e não revela talentos, não ganha títulos, não chora nas derrotas, não toma jeito precisa saber que o nosso Glorioso é uma instituição, mais que um simples aglomerado, um bando... Alguém tem de dizer a eles que as doenças cardíacas lideram o ranking das mortes e coração preto e branco já não aguenta mais. A maioria deles já passou pela periferia e conhece uma frase famosa nas peladas quando alguém demonstra incompetência e não se manca. O mais corajoso grita: “Ei, ocê aí, pede prá ..... e cai fora”.

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