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Impactados pela barbaridade do assassinato de dois advogados na Serra do Cipó, começamos a atirar para todos os lados. A gente quer justiça, mudança das leis e até pena de morte. Muita calma nesta hora.

10/01/2014 às 08:47

Impactados pela barbaridade do assassinato de dois advogados na Serra do Cipó, começamos a atirar para todos os lados. A gente quer justiça, mudança das leis e até pena de morte. Muita calma nesta hora. Mesmo admitindo que o país devesse fazer um plebiscito para este e outros assuntos recorrentes (afinal, não estamos numa democracia?) não acredito na pena de morte como solução para a violência, até porque eu teria dúvidas de quem executar primeiro: o assassino frio da advogada indefesa ou o senador que usa jatinho da FAB para ir de Brasília a Recife atrás de cura da calvície. Mudanças na lei? Não creio que sejam tão importantes; afinal, já temos leis demais. Vejamos: se um cidadão comete um crime de latrocínio – mata para roubar – com agravantes de impossibilidade de defesa da vítima, formação de quadrilha, estupro entre outros, ele pode pegar até 30 anos de cadeia. Ora, se foram duas vítimas, a pena pode chegar a 60 anos.

-Se já temos possibilidade de manter o infeliz por 60 anos enjaulado (neste caso a gente deixaria de considerar a pena máxima de 30 anos, pois foram dois crimes) não está automaticamente instituída a prisão perpétua?

Então, para que complicar? É só fazer cumprir a lei. Cadeia mesmo. Cana brava. Tipo acordar às seis da manhã, tomar banho gelado (com a água saindo de um cano da parede), café com leite e um pão com manteiga; o cidadão quebra pedras ou capina ruas de 7 às 11, almoça, descansa meia hora, pega de novo no batente, debaixo de sol ou chuva até as 6 da tarde, sempre com uma bola de chumbo nos pés para limitar os movimentos e, no caso de qualquer tentativa de fuga, fuzilamento por parte do agente que estiver vigiando. Às seis da tarde, retorno ao alojamento, outro banho frio,  prato de feijão com arroz e alguma verdurinha – carne só uma vez por semana – e cama. Não precisamos mudar leis ou fazer malabarismos. É só acabar com a farra de benefícios, progressão de penas e recursos sem fim por parte de criminosos inteligentes e seus advogados maquiavélicos.

Mas, paralelamente, é preciso combater de fato o tráfico e fazer um grande trabalho de orientação, educação mesmo, utilizando exemplos de mortes e sofrimentos – que podem chocar = para combater as drogas, sem dúvida alguma o grande motor dos tempos de horror em que vivemos. Ou alguém duvida de que esses infelizes que acabaram com os dois advogados eram viciados pés-de-chinelo que queriam dinheiro a qualquer preço para comprar crack? Será que ainda há dúvidas de que Conceição do Mato Dentro e outras cidades estão sofrendo com exploração mal planejada de minério, resultando na transferência para municípios pobres e de prefeitos fracos as mazelas do vício? Não é preciso mudar leis, mas, conhecer outro mundo possível... É parar com o faz de contas e punir com verdadeiro rigor criminosos vagabundos como esses da Serra do Cipó.

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