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O bom cabrito não berra!

Na semana passada, fui à Fazenda dos Macacos, nos limites dos municípios de Fortuna de Minas e Cachoeira da Prata, com o amigo Antônio...

01/02/2016 às 04:35

Não creio que descansar seja enfrentar aeroporto lotado, praia cheia de filas ou hotéis repletos de empolgados. Adoro as montanhas de Minas e os seus ensinamentos. Na semana passada, fui à Fazenda dos Macacos, nos limites dos municípios de Fortuna de Minas e Cachoeira da Prata, com o amigo Antônio de Pádua. Quanto aprendizado!

De início, uma lição de carinho para com os que nos deram a bússola: empresário com os desafios que a crise impõe, Marquinhos foi chamado a última hora, mas, sem pestanejar, delegou fazeres e se prontificou a ser o motorista. O pai é mais importante! Outro membro da delegação, o colega João Vitor, foi de bermudas, mas, levou uma calça, pois, nunca se sabe o que vai encontrar... Preocupação, respeito para com os outros, especialmente com a casa dos outros!

Lá chegando, não encontramos Marcílio. Ele sabe que Antônio, velho amigo, não dá importância a bobagens; Antônio sabe que a vida na fazenda é de luta. Mas, a ausência do anfitrião não diminuiu o carinho da acolhida na sede, pela gentil esposa e a filha Bárbara, médica em Belo Horizonte que comemorava aniversário junto a suas raízes. Na cozinha, uma mesa enorme de madeira, crianças brincando, fogão a lenha a pleno vapor, o ambiente de integração que os celulares e outros tabletes querem nos roubar. Aquilo sim é vida em família!

Mas, depois de uma rápida passagem por aquela casa espetacular de 300 anos e muita história era hora de procurar Marcílio. E lá estava ele em um dos três currais, ignorando as dores de coluna e separando os cabritos que deveriam embarcar para Brasília. Afinal, graças ao produtor rural, temos nosso cardápio de todo dia. Ali, era só espiar que exemplos de vida pulavam como a esperteza do comprador – até a multa que levou no caminho queria dividir – a maleabilidade do fazendeiro na escolha das cabeças e a interação com seus vaqueiros que, ao menor sinal, percebiam orientações.

É uma aula de sociologia. Os cabritos vivem soltos, mas, rotineiramente, são conduzidos ao curral, para conferência, tratamento e, quando necessário, embarque; as búfalas se esbaldam no pasto e na lagoa exigindo menores cuidados alimentares que as vacas, os porcos que não tiveram bom comércio no Natal seguem soltos, para diminuir o custo, e as porcas sofrem com o assédio dos javalis; as galinhas engordam com as sobras, entre pássaros, frutas e fartura; enfim, são 40 hectares de terra fértil onde cada um cumpre seu destino, tudo sob o controle do Marcílio porque, afinal, “o olho do dono engorda o boi”. O legal é o ritmo: trabalho de sol a sol, mas, sem estresse, desespero ou correria, como recomenda o ditado latino - Festina Lente - que quer dizer: Apressa-te devagar. Marcílio não queima energia queixando dificuldades, segue sua rotina de trabalho. Aliás, de volta aos cabritos, quando faltavam apenas dois para encher o caminhão um miúdo que estava atrás do fazendeiro se assanhou e chamou a atenção. Foi para o abate na hora. Afinal, “o bom cabrito não berra”. 

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