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O anonimato é uma bênção!

Dia desses, estava com o humorista Geraldo Magela em uma festa junina e, após apresentá-lo a um cidadão, este pediu imediatamente que o...

27/06/2016 às 08:32

Dia desses, estava com o humorista Geraldo Magela em uma festa junina e, após apresentá-lo a um cidadão, este pediu imediatamente que o “ceguinho” mais famoso do Brasil contasse uma piada. Não é a primeira vez. Como nos encontramos pelo menos uma vez por mês, já o vi passar por outros momentos de constrangimento. Na mesma semana, liguei para o deputado João Vitor, estranhando que ele não estivesse nas imagens de uma reportagem sobre audiência pública na Assembleia quando trataram da duplicação da BR-381. Este é um dos temas preferidos do parlamentar, filho de Caeté, mas, naquela tarde, ele não bateu ponto no plenarinho por motivo justo: discutia, no plenário, como oposição, minúcias da reforma administrativa proposta pelo governo de Minas. E, quando liguei, João aproveitou para desabafar: “Passei o dia inteiro no assunto, agora, fui a um canto do café para trocar ideias com o deputado Ulysses e eis que aparecem dois repórteres me fotografando e perguntando por que estava assistindo o jogo pela TV em vez de estar no plenário”.

Quando fui ao computador para escrever essas linhas, vi notícia de que Antônio Fagundes desistiu de almoçar com a namorada no Rio por causa da tietagem exagerada dentro do restaurante. E vi, também, o vídeo em que um brasileiro esculhamba com o senador Humberto Costa e o deputado Jean Wyllys, em um restaurante de Montevidéu, acusando-os de serem pró-Dilma e contra o Brasil.

Até dois, três anos atrás eu dizia que Deus é tão bom para mim que até fama ele me deu na medida certa, ou seja, era um cara reconhecido em alguns ambientes, sempre bem tratado o que, claro, não deixa de ser bom para a autoestima. Só que a aparição diária na TV está mudando os tempos e, de vez em quando, já me sinto incomodado. Não por minha causa. Quando só, estou sempre disposto a fotos, abraços, pedidos de reportagem e um sem número de outras manifestações, considerando todas como privilégio de quem é conhecido, querido e respeitado. Quando um ou outro é mais chato, logo lembro que tolerá-lo é o preço por tantas coisas boas que a profissão me dá. O diacho é quando estou com familiares. Às vezes quero comer um peixe com minhas filhas e o cara que nunca vi quer conversar comigo, num domingo, uma da tarde, me falar de um estupro da prima da tia dele no interior; em outras ocasiões, a telespectadora quer uma foto, mas, enquanto pede, se aproxima, abraça e, sem cuidado com a empolgação, empurra a minha mulher. De outra feita, no estádio, o cidadão sacou o celular da calça e o entregou a minha esposa ordenando: “Faça uma foto com o Eduardo, não posso perder a chance”. Diante da informação de que ela não sabia manusear o aparelho, reclamou: “Como assim? Você, mulher do Eduardo, não sabe tirar uma foto?”

Voltemos aos famosos de verdade. Pior que o incomodo sofrido no restaurante, foi a repercussão para o Fagundes lá no Rio. Mesmo tendo saído sem reclamar, sem má educação, foi alvo das maiores grosserias nos comentários da notícia dada, na internet, por um destes repórteres que cobrem celebridades. No caso dos parlamentares, eles exerceram o direito ao voto, estavam no Uruguai a trabalho, foram agredidos verbalmente e até ameaçados, sem direito de reação. No caso do João Vitor, o deputado de Minas, muito provavelmente dirão os que lerem essas notas “ah, ele trabalha com futebol no rádio, estava mesmo vendo jogo em vez de trabalhar”. É assim. Com as tais redes sociais, todo mundo diz o que pensa (ou sem pensar) e os que são pessoas públicas sofrem mais. Se o deputado vai mal, é só trabalhar para derrotá-lo porque de 4 em 4 anos ele precisa de recondução; se quer ouvir uma boa piada do Ceguinho, é só ir a um show dele... E ele não é afetado, ao contrário, já me disse que quando uma pessoa trabalha para ficar conhecida, depois não pode reclamar do assédio. Mas, cuide-se, pois, certa vez, após fazer um show no Teatro Dom Silvério e ir jantar, já de madrugada, na Avenida Uruguai, o saudoso Rogério Cardoso foi importunado por um inconveniente que queria – porque queria – ouvir uma piada às 2 da madrugada. Rogério perguntou qual a profissão dele e, ouvindo ginecologista, propôs: “Você faz um exame ginecológico aqui, em cima da mesa, na sua mulher, e, em seguida, conto”.

Então, encerrando a prosa, repito: sou muito agradecido a Deus por tudo, até pela fama... Que me deu em escala menor... Mas, quando mais vejo a proliferação da agressividade, o apreço à má educação e a facilidade com que as pessoas julgam, condenam e execram as outras, mais concordo com o João que, sem entender o “flagrante” de nossos colegas jornalistas, comentou: “O anonimato é uma benção.”

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