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O ano da intolerância

Se fizermos uma pesquisa com brasileiros de todas as regiões perguntando o que aconteceu de pior no ano que está agonizando teremos respostas...

30/12/2015 às 04:06

Se fizermos uma pesquisa com brasileiros de todas as regiões perguntando o que aconteceu de pior no ano que está agonizando teremos respostas as mais variadas, que vão da falta de autoridade à violência sem freios, da falta de pudor dos engravatados à cultura de levar vantagem por todos os lados, da saúde em frangalhos, a educação vacilante e a certeza da impunidade. Mas, senhoras e senhores, o que mais me incomoda em 2015 é o desfile da intolerância. Os xingamentos a atrizes negras, as agressões gratuitas a homossexuais e outros fatos graves, como fingir dormir para não dar lugar a idosos no transporte coletivo resultaram em ocorrências sempre crescentes. Mas, falo de outra intolerância, a de não admitir que o outro pense diferente e de confundir o comportamento de qualquer pessoa com o grupo do qual ela faz parte ou aquele pelo qual tem simpatia.

O último episódio – pelo menos até ontem a tarde quando escrevia essas linhas – foi uma perseguição e agressão a equipe da Rede Globo em São Paulo. É natural que os taxistas estejam com os nervos à flor da pele; afinal, eles têm seu ganha-pão ameaçado pelo “uber”. O que não pode é atribuir a um repórter e um cinegrafista a culpa pelos males que os afligem, ainda que, de alguma forma, a emissora na qual trabalham não tenha disponibilizado o espaço necessário para a defesa da categoria. Eu mesmo causei frustração em vários profissionais quando afirmei que não acreditava em fim do aplicativo em Belo Horizonte. E ainda duvido que o aplicativo seja proibido em seu formato original. Não é por conta de preferência – nunca usei carro do “uber” – ou de animosidade com os taxistas, aos quais sou muito grato pela grande confiança que depositam em mim... Aliás, é para continuar merecendo a credibilidade, que digo o que penso. E acredito que não se pode proibir o novo... Assim, da mesma forma que as máquinas de escrever se foram e as de fotografar também, o telex desapareceu, o telefone fixo é lembrança e o jornal impresso se reinventa, os aplicativos estarão cada vez mais na nossa vida.

Mas, voltemos à intolerância. Dia desses, dois “sabichões” cercaram o ministro Patrus Ananias em um restaurante de Belo Horizonte e o desacataram, assim como a esposa. Depois, foi a vez de Chico Buarque de Holanda ouvir desaforos em casa de diversão... Se forem capazes de apontar o dedo contra dois cidadãos sabidamente honestos, inteligentes e uteis, pense nos simples mortais? Já imaginaram se toda vez que eu disser que gosto do Atlético os cruzeirenses me esperarem na esquina para me surrar? Quem disse que todo eleitor do PT é safado, todo eleitor do PSDB é almofadinha e todo jornalista que não gosta da esquerda é reacionário? Aliás, o que é esquerda no Brasil? Quem é de centro? Que papai do céu nos ajude a compreender melhor o mundo, através dos poetas, como os “Titãs”, quando eles cantam “... Queria ter aceitado/As pessoas como elas são/Cada um sabe a alegria/E a dor que traz no coração...”. 

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