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Novos valores

Novos valores

O festejado psicoterapeuta Flávio Gikovate insiste: nos tempos modernos, trocamos a alegria da produção, a conquista através de realizações e o sentimento de vitória após árduas empreitadas pelo prazer do consumo. Queremos o tempo todo, é sonhar com o que temos e o que pretendemos ter, o que vamos usar, como usar, como impressionar... No domingo à noite ouvi mais uma vez o profissional do divã e, na manhã de segunda-feira ouvi de um menino de 13 anos que vendia drogas a justificativa: “Ah, é porque quero comprar um carro”. Lembrado pelo repórter André Rocha de que não tem idade para dirigir, tentou consertar avisando que está juntando dinheiro para, mais tarde, “quando fizer dezoito anos, comprar o veículo”. Claro que ele não quer esperar mais cinco anos, claro que ele não terá paciência para ajuntar dinheiro durante tanto tempo e, claro que ele não pretende comprar um carro com o que conseguir com a droga, até porque, no mundo em que vive, o dinheiro chega e vai embora com rapidez estonteante, portanto, o que arrecadar de manhã vai gastar à noite e a roda vai rodar até que ele encontre o destino dos jovens de 16 a 24 anos: cadeira de rodas, cadeia ou cemitério. O caso desse adolescente é extremo, mas essa nossa vocação para o imediatismo e o consumismo sem limites está presente em todas as camadas de nossa sociedade e se apresenta de formas discretas e descaradas, nos tornando mais egoístas, impacientes e exigentes. A solidariedade vai dando lugar à competitividade e a generosidade é vencida pela necessidade de sobrevivência. Que os tempos mudem antes de a gente partir dessa... Para outra melhor...