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No lombo da mula, visão nada “Real”

A música de Peninha, imortalizada por Caetano Veloso, traz na letra uma frase definitiva: “Quando a gente ama, é claro que a gente cuida...”.

A música de Peninha, imortalizada por Caetano Veloso, traz na letra uma frase definitiva: “Quando a gente ama, é claro que a gente cuida...”. Ora, se eu já aprendera há tempos que “só conhecendo é que a gente é capaz de amar”, hoje defendo para minhas filhas, meus amigos, leitores, ouvintes, telespectadores, até para os inimigos que conheçam o Brasil. Mas, sobretudo, na porção cultural, histórica, rural, plena de natureza e rara beleza. Só assim vamos diferenciar amor à pátria a apoio a esse ou aquele governo, essa ou aquela ideologia. Por isso, me empolga a jornada que 20 tropeiros fazem pela região Sudeste, desde Paraty, no Rio, de onde saíram no último dia 23, até Itabirito, onde devem chegam sábado. Em lombo de mula, na maioria, ou montados a cavalo, eles estão vencendo 700 quilômetros – em percurso idêntico ao dos bandeirantes na Estrada Real, criada pela Coroa Portuguesa a fim de levar nossas riquezas.

Eu queria muito ter retratado, em capítulos, detalhes da viagem, que é um resgate da cultura histórica do país, mas, como dependo da telefonia móvel brasileira – que só funciona bem na hora do lobby contra a CPI na Assembleia Legislativa – até hoje não consegui contato com o jornalista Márcio Fagundes, um dos corajosos tropeiros. Assim, ouso transcrever parte do relato que ele fez em seu blog, depois de quatro dias atravessando a divisa dos três estados, Rio, São Paulo e Minas:

“ Ficou patente entre os tropeiros que fauna e flora sofrem um acelerado processo de degradação ambiental. As matas fechadas se encontram em terceira ou quarta geração, com raríssimas árvores frondosas. Muita bromélia, mas poucas orquídeas. Nenhum mamífero ou réptil foi visto pelo grupo em trilhas ou caminhos nas encostas e cumes de montanhas. Escasseiam até mesmo os insetos. Uma única borboleta gigante azul foi registrada. Em compensação, abundam córregos de água límpida. O visual é inebriante, sedutor desde a Descoberta do Brasil. Por outro lado, muitos dos marcos da Estrada Real se deterioraram ou desapareceram. Isso reforça a ideia de que há um descaso por parte das autoridades do turismo com o aspecto histórico do trecho...”

Queira Deus que mais e mais brasileiros viajem pelo país para apreciar o belo, denunciar o abandono e aumentar o amor pela pátria.