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Ninguém vai elogiar a polícia?

Esperei por alguns dias, para ler ou ouvir alguma contestação ou - melhor seria, alguém cumprindo a missão de elogiar o trabalho da polícia na Copa...

Desde domingo, há uma permanente cobrança na minha consciência. Esperei por alguns dias, para ler ou ouvir alguma contestação ou - melhor seria, alguém cumprindo a missão de elogiar o trabalho da polícia na Copa. Pensei: se outro cumpre a tarefa, livro-me dos que vão dizer que não se fez mais que a obrigação. Cada um tem sua consciência e dorme com ela. Então, em nome da voz quase imperceptível, que fica cobrando postura da gente, quero aproveitar esse espaço para ficar entre os que consideraram positiva a ação de policiais civis, militares, federais, bombeiros, enfim, as forças de segurança durante o mundial de seleções.

E o faço hoje porque, em Brasília, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, terá um encontro com secretários de segurança para pedir que o trabalho seja preservado, no que for possível. Qualquer um de nós sabe que a PM não poderá manter na Savassi o mesmo número de policiais... Porque não os tem em número suficiente. Assim será no país inteiro, mas, com inteligência, boa vontade, parceria entre os três níveis de governo, dá para ficarem as ações estratégicas, centros de monitoramento e, principalmente, trabalho em conjunto.

Mas, voltemos ao elogio. Como era de se esperar, com a geração de políticos covardes e preguiçosos, avessos a mais pueril das artes políticas que é a conversa, a negociação, sobrou para oficiais da PM o contato com a população em geral e os líderes dos manifestantes em particular. O resultado é quem quis jogar bola na Avenida Getúlio Vargas jogou e, felizmente, não vimos a barbaridade do vandalismo destruidor, avassalador contra empresas, prédios públicos e pessoas. Tivemos um ano entre as manifestações de 2013 e o início da Copa, tempo suficiente para secretários e assessores de governos acertarem normas de conduta com os insatisfeitos, mas, como tenho escrito, os responsáveis por este trabalho ficaram escondidos atrás do escudo da PM. Sobrou para os oficiais que, com suas limitações, o olhar implacável do Ministério Público, as câmeras ligadas por todos os lados, permitiram a festa em todas as cidades. Os estrangeiros que vieram com medo de assalto, voltaram felizes; a máfia internacional dos cambistas foi presa no Rio; pedófilos foram detidos em Confins, enfim, a polícia trabalhou.

Agora, o comandante-geral promete um incremento de dois mil homens no policiamento diário da capital o que será ótimo. Mas, se os policiais continuarem enxugando gelo, prendendo as mesmas pessoas, o desassossego vai continuar. É uma pena que nosso Congresso esteja de recesso branco, as assembleias em ritmo de eleições e a Câmara da capital de férias...