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Ninguém vai avaliar o Move?

'Um bom exemplo é o Move. Um ano depois de sua implantação, ao custo de mais de 1 bilhão de reais, o sistema merece uma avaliação honesta, ampla'.

Imersos em intermináveis más notícias que vêm aos montes de Brasília, não conseguimos nos concentrar nas mazelas nossas do dia a dia. Um bom exemplo é o Move, o nome que a Prefeitura da capital deu para o BRT (e esta é sigla do inglês Bus Rapid Transit). Um ano depois de sua implantação, ao custo de mais de 1 bilhão de reais, o sistema merece uma avaliação honesta, ampla, séria para os ajustes necessários e que seus usuários sejam melhor atendidos. Já escrevi aqui pelo menos cinco vezes que era contra o BRT porque queria – e vou querer sempre – investimento em metrô, de verdade, debaixo da terra, nas regiões mais povoadas, recebendo os passageiros por ônibus nos terminais.

Mas, como quem tem responsabilidade precisa entender a escassez de recursos, as dificuldades de um prefeito e suas poucas opções, torço para que seja um sucesso. E vejo pontos positivos, como a diminuição de veículos, o que resulta em maior fluidez do tráfego, conforto (como ar condicionado, por exemplo) e rapidez, por conta do corredor exclusivo. Entretanto, é preciso dar voz ao sofrimento dos passageiros, especialmente os da região metropolitana que estão enfrentando estações improvisadas, baldeações perigosas e outros contratempos. Se tivéssemos mais compromisso com as coisas que realmente mexem com a vida das pessoas estaríamos fazendo uma grande avaliação de ajustes, respondendo a muitas perguntas como, por exemplo, se é factível falar em BRT na Avenida Amazonas que tem a mesma estreiteza da Pedro II, onde o Move é incompreensível; o que fazer com as portas e a segurança das estações, como diminuir os acidentes e sua gravidade – nos últimos 20 dias foram 5 mortes – e como convencer o governo de Minas a tratar seriamente do assunto nas cidades da região metropolitana. Afinal, não é possível o sujeito gostar do Move na Avenida Antônio Carlos se ele já passou toda a raiva do mundo em Justinópolis, Santa Luzia ou Lagoa Santa.

Repito, mais uma vez: a Bhtrans tem uma boa engenharia e poderia ser compreendida não fosse tão arrogante. É hora de a empresa aceitar a sugestão do consultor Luís Borges, em seu blog “Observação e Análise” e perguntar aos usuários do Move: “Se você fosse consultado em uma pesquisa de opinião para avaliar o desempenho do BRT/Move ao longo desse 1 ano, que nota você daria na escala de 0 a 10?”.