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Nem o Lacerda aguenta mais

Dia desses um amigo me perguntou sobre essa insistência em pedir mais autoridade e respeito às posturas públicas na cidade.

Dia desses um amigo me perguntou sobre essa insistência em pedir mais autoridade e respeito às posturas públicas na cidade. Estava, sobretudo, incomodado com os reiterados pedidos de moderação nas interdições de vias, considerando que, dentro dos padrões de hipocrisia que reinam no país, mais a incompreensão de alguns, pode parecer insensibilidade diante dos graves problemas que afetam todos nós, os brasileiros. 

Respondi que cada ser tem uma missão, acredito ser essa a minha de, enquanto tiver espaço e agradar à maioria – Deus me livre da unanimidade – dar recados em nome de muitos. Afinal, quem acompanha meu trabalho sabe do quanto denuncio as más condições dos trabalhadores, a falta de respeito do governo em relação a questões básicas como saúde, educação e segurança. Perguntem a Beatriz Cerqueira, do Sind Ute, ou a Luiz Gonzaga, que representa os soldados, se é verdade. Também não cometeria a insanidade de ficar contra os que lutam pela casa própria; bem sabem o padre Piggi e o frei Gilvander que nunca lhe faltaram espaços aonde posso decidir. 

O problema é que, em nome do livre manifestar, estamos inviabilizando a vida em Belo Horizonte. Qualquer grupo de seis pessoas fecha a Afonso Pena ou nossa Linha Verde e isso resulta em prejuízo para 2,5 milhões de habitantes. Convido os que duvidam para ficar meia hora na redação da Itatiaia atendendo telefonemas quando isso acontece. Ontem, por volta de 13 horas, uma moça chorava, convulsivamente, porque sentia a iminência de perder um voo e, em consequência, a conexão para o exterior em São Paulo, destruindo os sonhos de uma viagem planejada há anos. Mas, as manifestações com interdição de vias, são apenas um sintoma. O problema é de falta de ordenamento, foco e responsabilidade. 

Agora, viemos saber que o “Bola” acusado de crimes horrendos – entre eles a morte de Elisa Samúdio – foi transferido para a Casa do Policial, um lugar com tratamento especial e, claro, privilégios. Pior, que uma mudança na lei orgânica da Polícia Civil determina tal providência para todos os que um dia foram policiais, ainda que tenham perdido o cargo, caso de “Bola”. Meu Deus, como um sindicato defende isso, como a Assembleia aprova e como o governador do Estado sanciona?

Por estas e outras é que o prefeito de Belo Horizonte está impondo, entre as condições para seu partido, o PSB, estar com o PSDB nas eleições de outubro, que a cidade tenha polícia. Ele está cansado da ausência da PM quando precisa tomar qualquer providência. Até aqui tolerou por conta do respeito a Anastasia e da enorme amizade de sua senhora com o ex-governador, mas, só vai com os tucanos se Pimenta prometer arder quando a ordem exigir. Ele não me disse isso, mas, tenho informações seguras de que a paciência acabou. Ainda bem que há pelo menos uma autoridade querendo por ordem nesta casa da mãe Joana.