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Nem menos, nem mais; direitos iguais

Nem menos, nem mais; direitos iguais

Depois de muitos anos de sufoco permanente, com rebeliões, regalias de presos mais poderosos, desmoralização de autoridades e outros absurdos o sistema penitenciário mineiro vive em paz há algum tempo. E a principal providência que foi adotada para mudar o quadro é de singeleza chocante: o governo colocou a pessoa certa para tomar decisões e decidiu fazer o que se espera, com prisões decentes, disciplina forte e combate rigoroso à corrupção, colocando para fora quem tenta levar vantagem. O psicólogo Genilson Zeferino é o secretário de Assuntos Penitenciários desde que o Governo Aécio/Anastásia começou. E, hoje, já comanda uma equipe responsável pela custódia de 39 mil presos. Além de receber os que estavam nas delegacias da Polícia Civil, foi preciso reorganizar os presídios já em poder da secretaria, a começar pela Nelson Hungria que, de segurança máxima, só tinha o nome tantas eram as fugas, as rebeliões e a ousadia de seus internos que, quando irritados, exigiam falar com a então secretária de Justiça através de celulares e via emissoras de rádio. Anteontem, Genilson levou o juiz Guilherme Bastos, o promotor Joaquim Miranda e o defensor público Fabiano Bastos – todos com funções voltadas para a área de execuções criminais – para uma visita ao complexo de São Joaquim de Bicas, onde já estão 4 mil almas. O visual dispensou discursos: presos calmos, num ambiente que, se não é o lugar ideal para tocar a vida, pelo menos não é um inferno. Na ala especialmente criada para abrigar homossexuais, inclusive os travestis (que têm direito de se pintar, manter cabelos e roupas que gostam) há uma frase que resume o que espera um preso da sociedade: “Nem menos, nem mais; direitos iguais”