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Natal em família

De tudo que já li, vi e experimentei sobre a data máxima da cristandade, duas verdades saltam aos olhos: Natal é tempo de encontro e...

25/12/2015 às 04:04

De tudo que já li, vi e experimentei sobre a data máxima da cristandade, duas verdades saltam aos olhos: Natal é tempo de encontro e renascimento. Então, depois de algumas décadas considerando a época como chata, falsa e depressiva, pude entender as razões de tamanha má vontade. Primeiro, pelo fato de meu pai trabalhar bem cedo no dia 25, inclusive (ele transportava leite, da fazenda para a usina, e não tinha feriado), a nossa comemoração noturna era reduzida à missa na igreja mais próxima, um lanche rápido e cama. Provavelmente, o que me incomodava era algo próximo da inveja, por ver os outros festejando, as ruas cheias e as casas lotadas. Mais tarde, constatei que a outra parte ruim dessa história estava em algumas pessoas que, insatisfeitas, mal amadas ou simplesmente nascidas para resmungar, ganhavam espaço demais no meu tempo para questionar as festas de fim de ano. Ah, havia outra coisa que me chateava: a brincadeira do amigo oculto na qual alguém sempre ficava sem presente e, na maioria das vezes, o mau gosto ou a má fé de alguns participantes deixavam outros constrangidos.

Nada como o tempo. Fui aparando as arestas. A ausência de festa mais efusiva na casa dos meus pais cedeu lugar a um orgulho danado por aquele homem que abria mão até da noite de Natal em prol do trabalho e, por extensão, da família. Assunto resolvido sem terapia. Tanto que hoje, 25 de dezembro, assim como foi no ano passado e na maioria dos últimos 30, levantei-me às 5h para trabalhar... No que fui seguido por uma das filhas – ela também sem lamúrias. Quanto aos infelizes, percebi que eles existem, o ano inteiro, preferem sofrer, apresentarem-se como vítimas e reclamar do Ano Velho, sem escancarar o coração para o futuro. Quanto ao amigo oculto, cheguei à conclusão mais óbvia: nas relações entre pessoas a gente não pode esperar o melhor das outras; assim, eu faço o que puder, da melhor maneira, para agradar e, se algo der errado, tenho armadura suficiente para não sofrer, ou seja, me preparo para brincar já imune aos imprevistos.

Resolvidas as questões menores, passei a amar ainda mais o Natal. E percebi que minha mulher e minhas duas filhas vibram com a reunião dos parentes, preparam nossa casa com carinho e não falam de outra coisa na véspera. Percebi que nestas reuniões familiares as crianças são as que mais aproveitam e que, para elas, é importante ver a confusão que os adultos aprontam. Descobri que é oportunidade única para estarmos juntos, rindo de qualquer bobagem, abrindo o coração, saudando a vida. Sem fazer terapia ou análise, buscar explicações, por que um gosta de estudar, outro não, um fala muito, outro é retraído... O melhor da família é que cada um é diferente do outro, mas, quando necessário, é no seio dela que estão os melhores remédios para nossos males, espirituais e materiais.

Assim, aproveitemos o espírito natalino, deixemo-nos renascer para as relações, especialmente com os mais próximos, e peçamos ao Menino Jesus para nos poupar das mágoas porque, sobretudo na família, quem as tem está tomando veneno achando que o outro vai morrer. Feliz Natal, independentemente se você acredita que Jesus nasceu no dia 25 de dezembro ou não.

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