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Natal

Há quase quatro décadas na profissão de repórter tenho treinado meu cérebro para, pelo menos, três respostas diferentes cada vez que perguntar.

25/12/2013 às 10:19

Há quase quatro décadas na profissão de repórter tenho treinado meu cérebro para, pelo menos, três respostas diferentes cada vez que perguntar. Aprendi com o grande jornalista Alcântara Xavier, que tinha uma explicação clara e simples: “Assim, você corre menos risco de passar vergonha”. Ele tinha toda a razão, pois, naquela mesma época, iniciando minha experiência de repórter de campo na extinta TV Itacolomi, entrevistei o então técnico do Cruzeiro que, irritadíssimo, assistia uma derrota do time e era alvo de vaia implacável dos poucos torcedores presentes ao Mineirão. Elaborei mentalmente a pergunta e fui para o túnel, “armado” e animado a mostrar serviço, sem perceber que estava cometendo dois erros graves: questionar um treinador com a bola em jogo e, embora possa parecer redundância, questionar um treinador... Perguntei: “Como o senhor vê estas vaiais?” E ele, em tom áspero, disse: “Vaias a gente não vê, a gente ouve”. Fez-se um silêncio de alguns segundos que pareciam um século até que, petrificado, me senti protegido ao ouvir o grande Fernando Sasso emendar lá da cabine: “É, meu caro Eduardo, parece que ele não está ouvindo, senão pegaria o boné e deixaria imediatamente o cargo”. Viva Sasso, viva o saudoso gordo e todos os que ajudam os iniciantes!

Dia desses perguntei à minha caçula: de quem ou quê você gosta mais? E ela respondeu de pronto: “Do meu celular”. Quando estou diante de minhas duas filhas dou férias para estratégias cerebrais, portanto, tomei um susto ao ouvir tal confissão da adorável princesa. É que eu queria brincar de colocá-la em apuros, já que a mãe estava por perto, ou, quem sabe, perguntei só porque não tinha nada a falar e não sei ficar sem mexer com ela, ou... O certo é que a resposta foi tapa na cara. Não que eu tenha perdido o sono com isso; afinal, de repente, foi a resposta mais fácil, quem sabe pura habilidade dela para não se meter em encrenca de marido e mulher, ou... O certo é que a resposta da Sarinha se tornou minha segunda meta neste Natal; sem falar, é claro, no agradecimento ao Menino Jesus por mais um ano de saúde e prosperidade. O primeiro compromisso vem de outubro e tenho pensado nele todo dia: em 2014 quero falar menos dos outros. É isso mesmo! Eu converso demais e, evidentemente, fica mais fácil para quem é assim falar coisa do tipo “mas, que editor mala, hein?” Ou, concordar com os outros quando dizem, por exemplo, “aquele fulano de tal tem o rabo preso com o deputado beltrano “ e a gente, sem conhecer melhor um ou outro, fala: “É mesmo, bem que eu já desconfiava”.

Então, além de ouvir mais e falar menos, quero ajuda dos céus para me policiar, dedicar menos tempo ao computador, ao celular, e reservar sempre um minutinho para ouvir os outros, olhar no olho, dar atenção, respirar... Ah, isso, quero respirar mais. Com menos ansiedade. E, como felizmente não tenho nem facebook, nem twiter, instagran e essas tais mídias sociais, quero buscar menos o virtual e procurar mais as virtudes dos outros. Vou conseguir. Natal não é renascer? Eu Acredito. Bom Natal.

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