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Não gostamos de notícia boa

Volto a tema que devia merecer discussões profundas entre os jornalistas, em todo o mundo, mas, por corporativismo ou imobilismo, é ignorado...

14/12/2015 às 01:45

Volto a tema que devia merecer discussões profundas entre os jornalistas, em todo o mundo, mas, por corporativismo ou imobilismo, é ignorado solenemente. Nós não gostamos de notícia boa. E referenciamos colegas mais enfáticos que dizem frases bonitas do tipo “jornalismo é critica, o resto é propaganda”. De repente, a categoria está certa e eu é que devo me adaptar. Até ontem, resisti por entender que a gente deve lutar contra o “pré-conceito”, contra o estabelecimento antecipado de que tal partido é bom e o outro ruim, determinada empresa tem comportamento irretocável e certas pessoas nunca fazem nada de bom. Ninguém deve pensar assim – penso – sobretudo aqueles cuja missão é difundir, ajudar a pensar, formar a tal opinião pública.

Tivemos três exemplos semana passada em Belo Horizonte. Dois deles envolveram os rodoviários. Na terça, o sindicato dos trabalhadores e o Detran fizeram seminário, o dia inteiro, orientando motoristas e agentes de bordo de como podem ser mais leves nos seus afazeres, de forma a evitar confrontos com os usuários e, assim, ter um dia melhor. Na sexta, o sindicato das empresas homenageou 80 operadores que se destacaram exatamente no trato com os passageiros.

Fiquei feliz por divulgar, no rádio, as duas iniciativas, acreditando que esse é o caminho, o do treinamento, da conversa, da preparação de quem trabalha com público e precisa ter paciência, calma, inteligência, especialmente nestes tempos de crise por todo lado, quando as pessoas ficam mais irritadas, brigam por qualquer motivo. Nos dois casos, motoristas, cobradores e fiscais não foram forçados ou chantageados; ouviram, com liberdade, palavras de estímulo a um comportamento de gentileza no seu dia a dia. São pessoas mal compreendidas, as vezes agredidas como se fossem responsáveis pela qualidade do transporte. Seus patrões também só recebem pedradas, como se não fossem empresários que assinam contratos, investem recursos e, como em todo negócio, esperam prosperar. A radicalização é tamanha que, provavelmente, alguém escreverá, no espaço reservado aos comentários, que fui comprado pelas empresas por pensar assim.

A outra notícia que não demos foi a solenidade mais interessante que a Assembleia Legislativa sediou esse ano: uma homenagem aos 33 municípios mineiros que não registraram homicídios nos últimos dez anos. Na minha opinião, devia ter sido a manchete de todos os veículos do Estado na sexta-feira, mas, nós, acusados de privilegiar a lama e não sem motivo, nos ocupamos de Cunha, Dilma e outras ameaças à felicidade da Nação. Continuamos nos ocupando com genocidas e sem tempo para o que verdadeiramente vale a pena.

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