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Não estraguem a APAC

Não estraguem a APAC

06/05/2013 às 02:13

Há anos, quando a gente já não via uma luz no fim do túnel para o nosso sistema penitenciário, a cidade de Itauna experimentou um jeito novo de cuidar dos presos. Era a Associação de Proteção e Assistência ao Condenado – APAC, idealizada em São José dos Campos, São Paulo, e que começava a ganhar corpo em Minas Gerais. E a árvore deu frutos em Nova Lima e mais 20 municípios mineiros. As taxas de reincidência dos presos no cometimento de crimes são baixas, o custo destes condenados para o Estado é bem inferior e tudo se explica com simplicidade e obviedade: o condenado não fica a toa o dia inteiro porque ele é quem cozinha, varre, lava, cuida da cadeia; mais que isso, está perto da família, dos filhos, mulher, irmãos; sente-se mais calmo, anima-se com a real possibilidade de reintegração à sociedade. Como era uma boa iniciativa, apareceu um monte de gente querendo assumir a paternidade e o controle. O melhor da APAC, que era a gestão compartilhada entre a comunidade, o juiz, o promotor e o prefeito, foi substituído pela burocracia, o Tribunal de Justiça começou a mandar, a Secretaria de Defesa Social também... Recentemente, alguns presos foram resgatados da APAC de Santa Luzia e pelo menos um deles tinha uma condenação superior a 100 anos. A pergunta é simples: ainda que haja impedimento legal, ainda que a APAC seja capaz de ajudar também os presos com penas altas, não seria o caso de reservá-la apenas àqueles que cometeram crimes, portanto são criminosos, impedindo a inclusão de bandidos, aqueles que são useiros e vezeiros nas práticas criminosas, estupram, matam friamente, não respeitam ninguém e são capazes de resgatar os colegas se estiverem em estabelecimentos sem normas rígidas de segurança? Pergunto pela milésima vez: por que não juntamos todos para construir uma APAC em cada município mineiro, colocando ali quem errou uma vez – matou no trânsito, executou a mulher para não pagar pensão ou eliminou o vizinho por causa de uma cerca – reservando as penitenciárias, com xadrez e, se possível, trabalho forçado para os bandidos? Será que vamos estragar também o modelo APAC, misturando todos os gatos no balaio e perder a chance de criar um novo jeito de tratar de forma diferente os que são diferentes, sem deixar de cobrar de todos eles as dívidas que têm para conosco?

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