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Não estou doido

Achei que era o único. Fiquei todo empolgado quando a Dilma propôs uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva. Entendi que se tratava de “exclusiva”, mas, trataram-na como “restrita”.

Achei que era o único. Fiquei todo empolgado quando a Dilma propôs uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva. Entendi que se tratava de “exclusiva”, mas, trataram-na como “restrita”. A reação foi tão irada que julguei estar completamente fora de sintonia, embora tudo que venha de congressistas e empresários me mereça a desconfiança mineira. Agora, Vladimir Safatle, filósofo, professor e colunista de grandes jornais, após citar o caso da Islândia onde 950 cidadãos foram convocados ao acaso e por carta para fazer uma nova constituição, acalmou minha alma com texto que, entre outras coisas diz:

“Há um tipo de pessoa incapaz de ter o único sentimento que realmente funda a democracia: confiança no povo. Para tais pessoas, toda vez que o povo é chamado à cena da instauração política, isso só pode significar convite ao caos e à desordem. O povo só pode aparecer dentro de um filme cujo cenário já está desenhado de antemão, seja para sorrir no dia da "festa eleitoral", seja para plebiscitar perguntas que a classe política previamente decidiu. Nesse sentido, a única ideia sensata depois de semanas de ações paliativas para aplacar as manifestações populares foi a proposta de uma constituinte da reforma política capaz de colocar em questão todo o sistema atualmente em funcionamento. A ideia era tão sensata que foi abandonada em menos de 24 horas.

No seu lugar, ficou um plebiscito canhestro, em que a população será chamada a responder perguntas que ela não colocou. Ou alguém imagina que o povo brasileiro foi às ruas para decidir se as eleições teriam lista fechada ou aberta, voto distrital ou estadual? Há algo de piada de mau gosto nesse tipo de manobra.Se alguém realmente ouvisse a população em nossos governos, a solução islandesa seria aplicada e as propostas de reforma política sairiam de fóruns de participação direta pela sábia mão do acaso. Isso, entretanto, seria pedir demais para quem, no fundo, tem medo das massas”.

Uma das alegações de juristas e outros entendidos para refutar a ideia presidenta é a de que só seria possível convocar tal constituinte se a ordem estivesse rompida, isto é, estaríamos no fundo do poço. O que, para eles, não acontece. Então, tá! Vamos ficar sossegados que Collor, Renan, Sarney, Aécio e a família Andrada (no poder deste a criação do Congresso) farão a reforma