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Na borracharia

Eles precisam saber que na borracharia não tem só pneu usado, cola e calendário com mulher pelada... Tem vida, pulsando!

30/09/2015 às 11:14

O que era um sentimento está virando convicção dentro do meu baú de valores: o político deveria ser obrigado, se eleito, a viver como todos os outros. Teria uma escritório de trabalho, mas, não um palácio para morar; teria um automóvel para os deslocamentos de ofício, mas, voltaria para casa dirigindo o próprio veículo; a viagem de avião seria paga por nós, mas, sempre em voos de carreira, nos aeroportos... E teria filho na escola pública, faria exames pelo menos uma vez por ano através do SUS, quer dizer, deveria passar pelas mesmas experiências de nós outros.

Um exemplo: domingo agora, no fim do dia, fui ao borracheiro consertar pneu. O conserto demorou o suficiente para que eu vivesse momentos excepcionais, a começar pela prosa do Ferrugem, como é conhecido um baixinho muito simpático cujo nome é de difícil pronuncia. O outro, que cuidava de meu carro, é o Wellington, baita sujeito, bom de serviço, bem humorado... Ferrugem dizia: “Brincadeira esse time do Atlético empatar com o Joinvile, mas, também, o Fábio quer 700 mil por mês, quer dizer, esse povo não tem limites”. Sobre política: “Fico irritado quando dizem que o Brasil é abençoado, não tem terremoto, esses desastres, mas, precisava? Com os políticos que temos, morre muito mais gente aqui do que de tragédia...” O colega dele reclamava que a lei não deixa menores trabalharem, o que é errado, afinal, “com 11 anos já dava duro lá em Janaúba, nunca parei de trabalhar e aqui tem mais de seis meses que estamos com anúncio e não aparece ninguém, só nós dois ralando, com a mão até doendo”.

Um aposentado, vizinho, trouxe “um tira-gosto” para Ferrugem que agradeceu solenemente enquanto eu tentava entender quem era o rapaz que estava pouco antes na porta de uma drogaria e agora se apresentava ali, só sorriso, com os braços cheios de pacotes de fraldas. Ferrugem explicou: “Ele vai lá, pede fraldas, diz que é para a filhinha, e vende por qualquer valor depois; vive de iludir as pessoas boas”. 

Apareceu um rapaz bonitão com a bicicleta importada precisando de uma chave. Ferrugem, com a maior boa vontade, trouxe duas mãos cheias e deixou escolher. Pouco depois, mostrando que o ciclista estava saindo, reclamou: “O cara nem agradeceu”. Falta Brasil na vida de nossos governantes, falta contato com os governados, falta cheiro de povo nos engravatados, por isso eles, às vezes, pareçam seres de outros planetas. Eles precisam saber que na borracharia não tem só pneu usado, cola e calendário com mulher pelada... Tem vida, pulsando!

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