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Mudei de ideia

Os livros ajudam, conselhos familiares são fundamentais e boas companhias serão sempre salutares, mas, sem dúvidas, o que mais nos ensina é a vivência...

Os livros ajudam, conselhos familiares são fundamentais e boas companhias serão sempre salutares, mas, sem dúvidas, o que mais nos ensina é a vivência, a vida. O passar dos anos tem seu lado incômodo, com as rugas, a perda do vigor e o caráter inexorável da morte, mas, se tivermos a humildade suficiente para aprender, junto com os cabelos brancos ganharemos mais conhecimento para lidar com as informações e, com paciência, poderemos subir alguns degraus na escada interminável da sabedoria. Toda essa filosofia é para explicar porque mudei de ideia em relação ao perfil ideal de um chefe do Executivo.

Durante décadas, acreditei que um técnico ficaria bem no cargo por vários motivos como intransigência em relação às medidas necessárias, prioridade de fato para a maioria, menor espaço para os apadrinhados políticos e um freio natural na ânsia dos corruptos – afinal, em geral, um técnico tem menos compromissos com caixa de campanha e outras obrigações partidárias nem sempre replublicanas. Mudei de ideia. Quando  Dilma, Anastasia e Lacerda assumiram a presidência da República, o governo do Estado e a prefeitura de Belo Horizonte, respectivamente, achei o máximo e disse para os amigos que novos tempos haviam chegado, com gente mais preparada e séria para cuidar de nossos interesses. Hoje, penso diferente: um político, capaz de comandar as articulações e colocar técnicos nos devidos lugares pode ser muito mais útil. O técnico às vezes compra boas brigas (segunda-feira, neste espaço, vou ressaltar a luta de Lacerda contra a especulação imobiliária), mas, na maioria das vezes, queima o próprio filme, sobretudo por falta de malícia política, humildade na governança e carência de pessoas certas nos postos-chave.

Quando governador de Minas, Aécio sentiu ameaçado seu intento de integrar as polícias em Minas, colocou no comando das forças de segurança seu vice, Anastasia, que já era o dono da administração geral. Resultado: foram os melhores anos, de menor violência no Estado. Depois, Aécio saiu, Anastasia virou governador e, desde então, os números não param de subir; perigosamente! Outro exemplo? Graças aos recursos federais, Márcio Lacerda está fazendo muito pela infraestrutura em Belo Horizonte e não consegue capitalizar, por dois motivos: primeiro, ele não tem perfil de quem gosta muito de conversar, menos ainda ouvir opinião contrária... E está cercado de executivos que metem os pés pelas mãos. A implantação do BRT é um exemplo... Vejam bem o exemplo da Avenida Pedro II. Primeiro, fizeram as contas, pediram o dinheiro e, quando Brasília mandou, descobriram que não dava sequer para as desapropriações. Aí, desistiram. Agora, do nada, mudaram de ideia, criaram as linhas exclusivas onde não as cabia, e estão irritando comerciantes e moradores. Lá atrás, perguntei ao presidente da Bhtrans se não era o caso de por um monotrilho naquela via, porque ele ficaria suspenso. Ramon Victor disse apenas que não estava em estudo. Teimoso. E prejudicial à cidade... E, principalmente, ao chefe!