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Miriam, símbolo do descaso!

Ao procurar o Detran, pedindo ajuda, sugeriram-lhe pagar 85 reais e esperar nova autorização para dirigir por uma semana. Como o táxi é o ganha- pão, voltou ao posto no dia seguinte, na esperança de encontrar a carteira e acabou assaltado de novo.

09/01/2015 às 07:19

O governo – nos seus diversos níveis, por suas mais variadas formas de intervir na nossa vida – dá mostras, todo dia e toda hora do descaso para com seu patrão – nós, o povo brasileiro. Em toda esquina, há um exemplo e o último deles é o taxista Joaquim que, assaltado num posto de gasolina do Anel Rodoviário, ficou sem dinheiro, outros pertences e até a carteira de motorista. Ao procurar o Detran, pedindo ajuda, sugeriram-lhe pagar 85 reais e esperar nova autorização para dirigir por uma semana. Como o táxi é o ganha- pão, voltou ao posto no dia seguinte, na esperança de encontrar a carteira e acabou assaltado de novo.

Mas, sem dúvidas, o símbolo da indiferença do poder público atende pelo nome de Miriam Oppenheimer Leão Brandão e já está num mundo melhor desde 28 de dezembro de 1992. Em uma das maiores brutalidades que o país assistiu, Miriam, então com 5 anos, foi sequestrada, morta por asfixia e teve o corpo queimado e enterrado na casa dos sequestradores, no quintal de uma casa no Bairro Santa Cruz, em Belo Horizonte. No primeiro dia de cativeiro a menina foi morta por asfixia, seu corpo foi queimado junto a pneus, os restos enterrados na casa dos irmãos bandidos e mesmo assim os sequestradores ainda tentaram por 22 dias extorquir dinheiro da família como se a menina estivesse viva.

A mãe de Miriam tornou-se referência de coragem, bom senso, defesa do direito à vida e de como sobreviver a uma tragédia inimaginável. Pois, acreditem senhoras e senhores, apenas nesta semana, 22 anos depois, Jocélia conseguiu a certidão de óbito da filha. Desnecessário dizer que durante tanto tempo ela teve de reconstruir a vida, em todos os sentidos, cuidar dos outros filhos, garantir boa formação, etc. e que, como em toda família, precisa atender à burocracia, ter papéis que serão exigidos pela justiça hoje, amanhã e sempre. Apesar da repercussão mundial do caso, da condenação dos réus e de não existir qualquer dúvida sobre o a partida precoce da menininha, sua mãe lutou até agora para garantir a prova legal de que ela é uma doce lembrança. Ainda assim graças à intervenção do desembargador Hebert Carneiro que fez os processos andarem dentro do fórum.

Que a mãe nos desculpe e o espírito de Miriam vele por nós!

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