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Belo Horizonte tem metrô?

Minha perplexidade com a indiferença de nossos políticos foi compensada pelo Mourão

Embora tenha recebido destaque apenas na Itatiaia, a visita da presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte ao vice-presidente da República me parece a melhor notícia deste começo de ano entre as geradas pelo mundo dos políticos. Ela tratou de dois temas dos mais importantes: os espantosos números da violência contra a mulher em todo o país e a questão da mobilidade em Belo Horizonte.

No caso do feminicídio, considero desnecessário falar aqui sobre a importância de se adotar uma providência de caráter nacional, envolvendo os vários níveis de poder, com participação não apenas de ministérios, mas de promotores, juízes, jornalistas, enfim uma mobilização nacional para conter a fúria dos homens que se julgam donos daquelas que não os querem e perpetram as maiores barbaridades.

Mas a outra parte da conversa também mexeu muito comigo. Todo mundo sabe do meu inconformismo com a falta de um transporte subterrâneo em Belo Horizonte, e minha perplexidade diante da histórica indiferença de nossos políticos foi compensada pela pergunta que o general Hamilton Mourão fez quando Nely Aquino pediu para o vice ajudar na expansão do nosso metrô: “Belo Horizonte tem metrô?”, quis saber a segunda maior autoridade do país. 

Nely deve ter se assustado. Eu concordaria com ele na hora. Temos um trem que corre sobre trilhos e é chamado indevidamente de metropolitano, pois, atende (mal) apenas Belo Horizonte e Contagem. Sem falar que vez por outra tem seu funcionamento interrompido por questões técnicas, como nessa quinta-feira (10), quando usuários passaram ficaram mais de 40 minutos dentro dos vagões sofrendo com calor infernal. 

Não desista, Nely. Um dia vamos ter metrô debaixo de Belo Horizonte; pelo menos no Centro.