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Medos

Medos

Sempre que alguém fala em estresse explica que há o passageiro – aquele que decorre de uma grande surpresa, como a perda de uma pessoa querida ou do emprego – e o permanente, aquele que ataca os nervos que quem quer sempre mais, precisa brigar todo minuto para se manter no topo ou vive sob pressão. É claro que a segunda forma é mais prejudicial à saúde humana. Então, vamos refletir juntos: você já percebeu o quanto de tempo e qualidade de vida perdemos com nossos medos da cidade em que vivemos, dos vizinhos que temos e dos estranhos que encontramos. Eu, por exemplo, cada vez tenho mais medo de passar um fim de semana em Belo Horizonte. A começar pelo barulho infernal provocado pelos mal educados que podem ser igreja (de qualquer fé), motoristas, freqüentadores de bares ou simplesmente pedestres que adoram gritar na rua às 2, 4 horas da madrugada. Também tenho medo de sair. No sábado, levei minha filha caçula a uma festa. No caminho, um moço disparou a buzina porque eu estava a 40 quilômetros (na Rua Espírito Santo) e ele queria seguir a 80. Enquanto a pequena se distraía, resolvi levar a mulher para ver, de longe, a Cidade Administrativa do Governo. Lá, uma parada na rodovia para espiar e, de repente, com a aproximação de um outro carro cujos ocupantes só queriam ver também, um grande susto. Fomos então a restaurante na região da Pampulha cuja localização eu já não me lembrava com certeza. Bastou uma parada em rua mais deserta para perguntar a um casal e, enquanto o homem me ajudava, a mulher dele quase sofria infarto, de medo. Isso, definitivamente, não é vida. Onde vamos parar? O que será das cidades e de seus habitantes amanhã?