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Matutando sobre as eleições

As eleições do último domingo dão munição de sobra para prosas demoradas, debaixo da árvore ou na mesa de boteco. Para começar, institutos...

04/10/2016 às 03:47

As eleições do último domingo dão munição de sobra para prosas demoradas, debaixo da árvore ou na mesa de boteco. Para começar, institutos de pesquisa não captaram a eleição de Dória já no primeiro turno em São Paulo, prova de que a tecnologia, o treino e a fama dos bons de cálculos jamais vão superar o fator humano. A propósito, foi também o imponderável que nos fez ignorar, naquela prévia sem valor científico sobre prováveis vereadores, publicada neste espaço, as duas eleitas pelo PSOL em Belo Horizonte. A própria Áurea, campeã de votos, mostrou-se surpresa com o tamanho do apoio.

Outra reflexão boa diz respeito à combinação de abstenção, votos nulos e brancos... Se juntarmos os que não foram às urnas com aqueles que simplesmente cumpriram a obrigação, mas, optaram por não escolher, teremos mais eleitores que o volume de votos de Alexandre e João Leite, os dois finalistas. O que quer dizer? É que – com licença da palavra – estamos todos de saco cheio com tanta safadeza, tamanha roubalheira e criminosa indiferença em relação a problemas crônicos das cidades. No caso de Belo Horizonte, a chuva da manhã desta terça-feira deu um nó na vida de todos e renovou nossas convicções de que habitamos uma província que um dia foi chamada de roça iluminada e agora nem lâmpada nas ruas tem. É triste a nossa falta de mobilidade, o hospital do Barreiro funcionando meia boca, o de Venda Nova ameaçado de fechamento, a obra da Rodoviária do São Gabriel que não começa; o Anel Rodoviário que mata e metrô de verdade que não chega. A propósito, o Reginaldo do PT teve coragem de fazer campanha para a PBH repetindo que ajudou 300 municípios mineiros... Ajudou sim, com verbas públicas, em troca de votos.

Pior mesmo é ter de escolher entre dois candidatos que não empolgam. Um é afilhado do atraso, o outro é promessa de apocalipse. Mas, o que realmente incomoda é descobrir que, para o eleitor, fatos graves como não pagar IPTU mesmo tendo veículos importados na garagem e estar condenado por não repassar dinheiro arrecadado de impostos dos trabalhadores não são tão importantes assim... Para os eleitores! Nós. Que reclamamos de governo, da corrupção, reclamamos de tudo e pedimos um novo país.

Como é triste constatar na fala dos candidatos a prefeito que estão surpresos com o que viram no primeiro turno. Não conheciam a pobreza da cidade! Como pode alguém que se compromete a resolver nossas mazelas se não conhecem? Aliás, quantos dos milhares de candidatos do último domingo já visitaram Izidora, nos limites de municípios de Belo Horizonte e Santa Luzia onde três ocupações são um barril de pólvora?

Mas, nem tudo é tristeza, desalento… Estou muito animado com o que pode acontecer na Câmara Municipal. A próxima legislatura vai ser, de verdade, um retrato da nossa cidade. Quero ver duelos verbais no plenário, envolvendo, por exemplo, Áurea Carolina versus Wellington Magalhães, Catatau versus Arnaldo Godoy, Cida Falabela versus Léo Burguês... A cobra vai fumar. O que é bom para Belo Horizonte. Chega de falso consenso, de paz que acomoda e cordialidade que não resolve.  

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