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Marmanjo precisa de afeto

Marmanjo precisa de afeto

Determinadas coisas não carecem de livros ou explicações científicas para que os humanos comuns compreendam. Um exemplo? A necessidade de afeto em nossas vidas. Quanto mais se conhece detalhes sobre o Marcos Trigueiro que matou pelo menos cinco mulheres nos últimos meses em Belo Horizonte, mais se tem certeza de que monstros são criados a partir da falta de afeto, de um berço confortável na formação da personalidade e de um ambiente tranqüilo e respeitoso durante a infância e adolescência. Os especialistas em psiquiatria disseram que ele escolhia vítimas parecidas com a mãe. Quando a gente vê as fotos das mulheres atacadas, não dá para discutir essa hipótese. Na primeira entrevista de um irmão não há dúvidas de que foi alguém ignorado durante o período mais importante da vida, quando a gente se estrutura para o mundo real. Quando aparece a mãe dele e abre a boca fica a certeza de que é uma mulher possivelmente (não para aferir a honestidade de suas afirmações sem a conhecer de perto) arrependida por dívidas para com os seus. Quando ela afirma que a culpa é do pai esquece-se de que a verdadeira mãe vai às ultimas conseqüências, mas não se afasta de um menino de nove anos. Mas, não é o caso de julgá-la agora. O que me importa é fazer o alerta a jovens mães: acreditem, conversem com seus maridos, seus irmãos, e creiam – nós, os marmanjos, só parecemos firmes que nem vigas e frios como se feitos de puro concreto. No fundo, lá no fundo, somos fracos, carentes. Quando há um momento de dor na família, por exemplo, assumimos o papel do controlador, do consolador, mas, de verdade, estamos morrendo de vontade de desabar, chorar. Cuide do pequeno hoje que ele será marmanjo decente amanhã.