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Maledicência na rede e no canil

Maledicência na rede e no canil

Sempre ouvi dizer que os famosos (de verdade) sofrem com a internet porque ali colocam textos que não escreveram, falas que não falaram, e os casam, separam, enfim, infernizam a sua privacidade. Ainda não fiquei famoso o bastante, mas, ontem, pude sentir na pele o quanto a rede mundial de computadores pode estragar um dia da gente. Começaram a chegar e-mails à Itatiaia protestando veementemente contra críticas que eu teria feito a um moço que se apresenta como defensor dos direitos dos animais. Comecei então a ligar para alguns dos remetentes e eles sequer me ouviam. Mais xingatório. Eu queria saber o que havia falado, pois, embora não me lembrasse, de repente, num improviso, pudesse ter extrapolado. Três horas depois, consegui achar o “ofendido” que resumiu: “Ouvi dizer que você falou na Record...”. Ora, se entendi bem, a matéria que foi feita por um colega de TV sobre a apreensão de dezenas de animais, por técnicos do Controle de Zoonoses da Prefeitura e que vinham sendo “tratados” pelo “protetor”, pela acusação de maus tratos, local inadequado, sujeira e outras irregularidades, era a causa. Mas, eu, como apresentador, só chamei a matéria. Na verdade, sequer a conhecia. Acho até que foi feita atendendo a apelo do moço que passa a vida pedindo ajuda às redações – no que está correto, se a causa for justa – e eu mesmo já o socorri várias vezes. E ele, pelo “ouvir dizer”, postou no tal face book sua tristeza, o que foi bastante para um monte de internautas me desancarem. Uma disse: “Maldito Eduardo... Agora odeioooooo... Vamos boicotar esse FDP”. Em seguida, ela fala “tenha fé, fique com Deus” e, mais adiante, posta nova mensagem perguntando “mas, o que é mesmo que ele falou?” Aliás, essa foi a tônica das bobagens que li... Entre um idiota, cretino, babaca, inimigo dos animais, protetor da venda de animais no Mercado Central e outras acusações graves, alguém voltava ao ponto: “Mas, o que é mesmo que ele falou?”. Das pessoas que participaram só uma insistia em saber primeiro o que eu dissera, antes de me desejar o inferno. Aliás, uma das amigas do moço falou, com todas as letras, que minha alma já devia ter sido encomendada. Como em todo episódio triste temos sempre de buscar algum motivo para crescer, aprendi, na dor, o quanto é séria a prática dos crimes na internet... Como lá existe a prática do “compartilhar”, eu vos pergunto: quantos os que ouviram a primeira versão terão acesso a esta de agora?