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Mais pólvora no barril?

Mais pólvora no barril?

Está prevista para esta semana a inauguração da primeira unidade de um novo complexo penitenciário em Ribeirão das Neves que, ao final, poderá abrigar 3 mil presos. Digno de aplauso por estar ampliando a nossa capacidade de abrigar criminosos, o governo do Estado também merece crédito por acreditar em Parceria Público Privada, pois, a administração pública é mais complexa, burocrática, lenta e cara. Tudo certo? Mais ou menos. Primeiro, é preciso saber o que Ribeirão das Neves está recebendo em troca para assumir de novo o ônus da cadeia, pedida por todos desde que seja longe de casa. Depois, precisamos saber se a estrutura de atendimento aos detentos será ampliada. Assim como a delegacia, o que chamam de fórum em Neves é digno de risos. Para começar, as varas cível e criminal estão em espaços separados. Pior: há um juiz para a área de execuções naquele município. Então – e considerando que se tem uma coisa que deixa preso irritado, animado para a rebelião é o abandono – será que pensaram em colocar mais juízes em Neves? Ou o mesmo que já resolve problemas de 10 mil vai se incumbir de mais três mil? Vamos aproveitar a ocasião para verificar processos, colocar os que merecem em liberdade provisória, transferir os que preenchem os requisitos para as APACs e deixar encarcerados apenas os sabidamente bandidos? A propósito, vi nota de pé de página que o Governo de Minas está desapropriando o antigo prédio da Telemig, na Afonso Pena, 4.000 onde o Tribunal de Justiça pretende ocupar a atual construção e fazer mais duas torres... Ora, será que isso é prioridade mesmo? Sem querer ser o chato da corte, preciso lembrar que o nosso Tribunal tomou a si um prédio luxuoso não faz muito tempo na Raja Gabaglia. A pergunta é: faremos mais um prédio chique na capital enquanto Neves e mais 500 municípios mineiros ficam sem fórum? Vamos permitir que, no dia 4 de março, quando o goleiro Bruno será finalmente julgado, o mundo veja de novo aquela feiura que é o Fórum de Contagem? Já contaram para a Corte que, durante audiência de “conciliação”, um cidadão esfaqueou a ex no fórum de Itaúna? Por favor, presidente Herculano, não me tome por impertinente, nem dê ouvido aos bajuladores de plantão que ficam no leva e traz... É meu ofício perguntar.