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“Minha irmã Heloisa, apresentou os primeiros sinais de que algo estava errado com sua saúde mental, por volta dos dezesseis anos..."

19/02/2014 às 09:52

Artigo recente de Ferreira Gullar lamenta a morte de Eduardo Coutinho e do fechamento de 30 mil leitos em clínicas psiquiátricas que, nas palavras do pensador, “nada se parecem com os manicômios de antigamente” – que eram realmente inaceitáveis. É mais uma manifestação de gente respeitável que corrobora minhas impressões de dez anos atrás. Mas, Gullar é só o mais famoso. Todo dia alguém reverbera aquela antiga preocupação de que com a “desospitalização” sem limites, haveria vítimas, como o advogado aposentado Afrânio Mauro Carneiro de Miranda que me enviou agora texto escrito em 1º de julho de 2011, com o título “Uma tragédia anunciada”. Eis parte do texto:

“Minha irmã Heloisa, apresentou os primeiros sinais de que algo estava errado com sua saúde mental, por volta dos dezesseis anos. Vivia reclusa em seu quarto, e com muito custo mal obteve o diploma de segundo grau. Eu era muito pequeno, tinha uns oito anos, mas pude perceber que algo estava acontecendo de grave. Seguiram-se consultas e mais consultas, depois vieram crises, delírios e por fim as internações hospitalares. Era Esquizofrenia em seu quadro mais cruel. As tentativas de mantê-la em casa, não passavam de poucas semanas, pois logo vinham as crises e cenas de violência, um verdadeiro filme de terror. Ela passou por todos os hospitais psiquiátricos de BH, até que ela mesmo escolheu se instalar em um deles onde se sentia acolhida e amparada. Não teríamos mais que interná-la à força para segurança dos parentes e vizinhos.

Seguiram-se anos e anos, os parentes visitando-a semanalmente e nas altas esporádicas que nunca duravam mais que duas semanas, pois as crises voltavam, ela ficava com minha mãe sob nossos olhos vigilantes a qualquer sinal de um surto. E eles aconteciam de uma maneira horrorosa. A pessoa parecia possuída. Adquiria uma força física que só dois homens conseguiam contê-la e tirar de suas mãos objetos, como facas, pratos e outros que tais, cujo destino era a cabeça de um de nós. Retornava ao hospital. Na década de 1990, algum gênio do PT, teve a brilhante ideia de tirar todos os “PORTADORES DE SOFRIMEENTO MENTAL” - AGORA É ASSIM QUE SE CHAMAM OS LOUCOS - dos hospitais, pois alegavam tratar-se crime de cárcere privado. Eu mesmo cheguei a ser ameaçado por uma das assistentes sociais do PT se insistisse em manter minha irmã internada. Não adiantou, fui avisado pelo diretor do hospital que ela, Heloisa seria transferida para uma “CASA TERAPEUTICA”, por ordem da Prefeitura de BH. Eis o que seguiu: Minha irmã foi vitima de: estupro, sevicias, furtos e maus tratos dos colegas loucos, com agressões físicas e verbais, falta de higiene, etc., etc. Nas tais casas do “CERSAN” não existem profissionais da área de saúde. No dia 21 de junho de 2011, precisamente às 19,45h., fomos informados que minha Heloisa havia se engasgado com um pedaço de carne ao jantar e não resistiu.

A utopia política matou minha irmã. Ela morreu engasgada com um simples pedaço de carne E nós, de seu sangue, estamos entalados de nojo até o pescoço. Parabéns! VIVA O PT”.


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