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Livre manifestação ou cidade sem lei?

Livre manifestação ou cidade sem lei?

06/05/2013 às 02:13

Não há nada mais bonito que o povo nas ruas, até porque estas foram feitas para as pessoas (os carros se apoderaram). Não há sinônimo mais perfeito para democracia que a livre manifestação. E, na maioria das vezes, a greve é justa porque vivemos num país em que a distribuição de renda só é real nos discursos. Então, fique claro que o colunista não têm nada contra qualquer pessoa ou grupo que use o espaço público para pedir socorro, desabafar sua indignação ou clamar por justiça.

Mas, considerando que só viveremos em coletividade se atentarmos para o velho ensinamento, segundo o qual o direito de cada um termina quando começa o dos outros, e, convencido de que vivemos no mundo da hipocrisia, no qual ninguém se apresenta para discutir os temas polêmicos, capazes de gerar desgastes ou incompreensões, quero pedir a reflexão do leitor para o caráter abusivo das manifestações públicas em Belo Horizonte.

De manhã são os sem casa, na metade do dia são os servidores da UFMG, de tarde tem professores na Avenida Amazonas e servidores da Prefeitura na Praça Sete... Todo mundo fechando as principais vias. Por inteiro.  Não, não dá para ficar calado. O trânsito de Belo Horizonte não comporta. A maioria dos moradores, dos 2,4 milhões de habitantes, não merece. Alguém tem de ter a coragem de chamar dirigentes dos movimentos sindicais e populares, técnicos do trânsito, agentes da Defesa Social e pedir que encontrem uma fórmula capaz de garantir o grito dos oprimidos sem imobilizar uma cidade inteira.

Não se trata de impedir que os professores mostrem sua situação desesperadora nas ruas mais centrais, mas, de combinar com eles que vão desfilar sua raiva por uma faixa da rua e que os ocupantes de todos os veículos que passarem pelas outras vão ver e, muito provavelmente aplaudir ou, no mínimo, se solidarizar porque a situação dos mestres é mesmo triste. Mas, se os grevistas param o trânsito, ninguém dos carros vê (estão ilhados) e cresce antipatia contra o movimento.

É uma questão lógica; se todo dia o cidadão fica preso por horas no trânsito, ele passará a odiar todo e qualquer manifestante quando, na verdade, a manifestação busca exatamente o apoio popular.  Não me conformo com nossa falta de criatividade. É sim possível conciliar democracia com ordem pública, livre manifestar com livre ir e vir (da maioria). Nosso inferno urbano não precisa de mais combustível.

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