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Lições de Leon e família

Minhas atenções continuam voltadas para o Jardim Zoológico de Belo Horizonte. Não tenho pressa de conhecer o sexo do primeiro filho de Leon e Lou Lou

08/08/2014 às 11:25

Minhas atenções continuam voltadas para o Jardim Zoológico de Belo Horizonte. Não tenho pressa de conhecer o sexo do primeiro filho de Leon e Lou Lou. Mexe comigo a calma com que a família administra um momento de extremas mudanças. A direção do Zoo já admite liberar visitação pública brevemente. Entre nós, os humanos, a chegada do primogênito envolve uma parafernália que começa com festas, continua com enjoos, desejos, vira viagem a Miami para compra de enxoval, chega à maternidade e muda a rotina de todos. A família gorila só mudou no essencial: agora, mamãe Lou Lou tem companhia obrigatória enquanto papai Leon faz a guarda e Imbi espera sua vez. Nos obrigam a lembrar de pessoas como Francisco Stheling para quem um assessor de imprensa “deve estender pontes; nunca levantar muros”. De uma forma geral, como complicamos o simples...

Fiquei sabendo, pelo Luiz Marins, que a revista inglesa “The Economist” publicou recentemente artigo sobre como a complexidade, a burocracia excessiva e a perda de tempo com reuniões, e-mails, etc. estão prejudicando pessoas e empresas. Como perdemos tempo com reuniões que não resolvem nada, e-mails que não acrescentam, enfim, entulhos que só roubam tempo e paciência preciosos. Fosse eu o executivo de uma grande empresa encerraria 90 por cento das reuniões com cinco minutos. Como não sou poderoso, já coloquei meu celular no devido lugar – o da urgência  – resisto a formas de ficar anunciando que extrai um dente, comprei carro novo ou fiz xixi, aprecio a família gorila e guardo com carinho texto de Rubem Alves, recém-falecido:

  “Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltavam poucas, rói o caroço. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Já não tenho tempo para conversas intermináveis para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturas. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral ou semelhante bobagem, seja ela qual for. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa... Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pena. Basta o essencial!"

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