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Lições da boleia

Uma das mais extraordinárias conquistas da melhor idade é a descoberta de que a gente não sabe nada, continua muito presunçoso e só não erra mais...

14/10/2015 às 01:34

À primeira vista, a aproximação da velhice oferece um quadro assustador, com dores recorrentes e, no caso do homem, uma constatação que pode ser digerida com bom humor: as partes antes maleáveis ficam mais duras enquanto outras, rígidas, ficam flácidas e e exigem novas abordagens da vida. Mas, quando se tem boa vontade para com a natureza, é possível extrair razões de ânimo para seguir o roteiro até o dia em que o inevitável fim devolve a matéria a terra.

Uma das mais extraordinárias conquistas da melhor idade é a descoberta de que a gente não sabe nada, continua muito presunçoso e só não erra mais porque a vida ensina. A melhor universidade é viver. Nessa semana estou recordando com especial carinho os tempos em que viajava na boleia do caminhão de meu pai. Não foram muitas viagens, é bom dizer, pois, nunca fui de pegar no trabalho braçal... Logo aos 11 anos tratei de arrumar meu primeiro emprego de boy e ascensorista e só aparecia no pesado do velho Chevrolet quando não conseguia esconder do meu pai nos dias de folga. Ainda assim, era sempre uma aventura e tanta perambular por ruas esburacadas, ladeiras perigosas ou deslizar pelo asfalto da cidade grande vendo tudo de um plano – digamos – superior.

Para não deixar margens a sentimentos de superioridade, o velho Leontino sempre chamava a atenção para o perigo de bater em um dos automóveis, o que significaria prejuízo incalculável, e não se cansava de repetir que haverá sempre um veículo mais pesado que o nosso, portanto, bater nem pensar... E, para evitar colisões, é preciso dirigir para os outros. Saber que condutores irresponsáveis estão à solta, etc. Ele se mantinha à direita, cedia passagem, ouvia palavrões, não reagia; irritava-nos. Como era sábio o velho leiteiro! Para cada carga, um ensinamento. A que mais lhe preocupava era a carga viva, isto é, transporte de animais... Especialmente os porcos... No começo, ficavam excitados, se jogavam uns sobre os outros, o que poderia significar tombamento... Assim, era necessário ir devagar, por algum tempo, até que todos se acomodassem. Não disseram isso ao comandante do navio lá do Amazonas e ele despejou 5 mil bois no rio.

Aliás, se estivesse nesse plano, talvez meu pai pudesse organizar a vida política em Brasília. Colocaria Cunha de um lado e Dilma do outro; organizaria a turma e diria: “Vamos devagar, façamos como o velho marinheiro, que durante o nevoeiro leva o barco devagar”.  

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