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Juntando os cacos

“É possível uma pessoa enganar muitas pessoas durante muito tempo. É possível uma pessoa enganar outra pessoa durante todo o tempo. Mas, é impossível uma pessoa enganar todas as pessoas durante todo o tempo”.

29/10/2014 às 09:05

Um livro antigo, de Epitácio Caó, me lembra da afirmação de Abraham Lincoln que é pura sabedoria: “É possível uma pessoa enganar muitas pessoas durante muito tempo. É possível uma pessoa enganar outra pessoa durante todo o tempo. Mas, é impossível uma pessoa enganar todas as pessoas durante todo o tempo”. Assim, ninguém precisa proclamar o fim do mundo com a refrega resultante das eleições que manteve o PT no planalto. Se, de um lado o caminho do desenvolvimento fica mais distante e o sentimento da impunidade cresce, do outro o olhar para um Brasil menos desigual anima a paisagem; se os tucanos sofrem na alma a derrota de boas intenções terão a chance de conter a arrogância; se os petistas comemoram a continuidade sabem que é preciso estancar a roubalheira porque a mobilização nacional cria atalhos para outras saídas constitucionais; enfim, o importante é que o Brasil tratou eleição com a mesma paixão de uma copa do mundo de futebol. E isto é ótimo.


Sobre a divisão do país, é bom lembrar que ela existe desde 1500 quando os índios foram mortos, suas mulheres estupradas; os africanos contrabandeados, escravizados e suas mulheres escaladas para tarefas de cama e mesa. E sabemos que, na República Velha, tudo de bom era reservado aos coronéis cabendo ao restante da população obedecer. Ha lugar para todos na terra de Santa Cruz. Vamos fazer dessa polarização agressiva uma oportunidade de crescimento, com cobrança e fiscalização... Ah, e, sobretudo, respeito ao outro, ao diferente, de cor, raça, religião ou partido.


Assim como no futebol, depois de um clássico, os adversários trocam camisas e saem para jantar, na política os inimigos de hoje serão aliados de amanhã. E vale lembrar que, no mesmo livro, citado acima, encontrei o texto de Rui Barbosa que define bem os governantes de uma forma geral:
“A natureza o fez escorregadio como a enguia, para as fugidas. Fê-lo como camaleão, cambiante e multicor, para as adaptações mais variadas. Fê-lo com duas disposições de morcego para a dentada e o assopro, o afago e a sangria. Fê-lo rasteiro e virulento como a víbora, para as covardias e os crimes. Dotou-lhe o olhar do rato, as lágrimas do crocodilo, o riso da hiena, a gravidade do mocho, a imoralidade do bugio, a pele da anta, o bucho da ema. Mas das entranhas das criaturas animadas só lhe aquinhoou as vísceras inferiores. Estreitando-lhe o peito, não lhe deixou lugar para o coração. Pátria, não se sabe se lhe deu. Deve-lhe ter dado sexo. Mas castrou-lhe a alma. Da inteligência reduziu-o a certos instintos desenvolvidos, às faculdades subalternas: as da astúcia, da simulação e da malignidade. Mergulhou-o da cabeça aos calcanhares numa espécie de maceração de hipocrisia, e retirou-o do banho com a macilência dos mortos. Proteu da mentira, não tem opinião nenhuma, e com todas se mascara. Cortesão das vitórias ganhas, bravo no desarmamento dos desarmados, fujão das situações arriscadas”.

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