Eduardo Costa

Coluna do Eduardo Costa

Veja todas as colunas

Mais Notícias

Jovens demais para morrer

Ouvi uma notícia ontem de tirar o apetite: oito pessoas morrem por dia em São Paulo, vítimas da AIDS. Pior é que o a maioria das vítimas tem, segundo o...

10/06/2015 às 03:11

Ouvi uma notícia ontem de tirar o apetite: oito pessoas morrem por dia em São Paulo, vítimas da AIDS. Pior é que o a maioria das vítimas tem, segundo o Secretário de Saúde David Uip, entre 17 e 25 anos. Ao contrário de 50 anos atrás, agora os portadores sabem do risco, mas, optam por corrê-lo. Esses jovens, homossexuais, ignoram a camisinha como se tivessem prazer em fazer uma roleta russa. Há notícias de que já existem comunidades na internet nas quais os cidadãos se comunicam e combinam o sexo perigoso.

Outra informação de tirar o fôlego é a de que 35 por cento das pessoas não usaram o preservativo na primeira relação e, acreditem, dependendo do meio que vivem, meninas de 14 anos sofrem bullyng pelo fato de ainda estarem virgens.

Lembro-me bem quando o primeiro paciente de AIDS foi internado no Pronto Socorro, no final dos anos 80 do século passado. Ele ficava encapsulado, isolado em um quarto e raros eram os enfermeiros que se aproximaram. Depois, convivi com vários pacientes, alguns deles colegas profissionais. O mundo soube mais sobre o vírus, o Brasil tornou-se exemplo no tratamento e, sinceramente, pensava que eram raríssimos os casos de morte nos dias atuais.

Mas, se de um lado me entristeço, não há surpresa no meu sistema nervoso. Este é mais um sintoma de um mundo doente, intolerante, no qual as pessoas sentem-se infelizes – tendo ou não dinheiro. Por força da profissão, convivo com gente de todas as origens, classe social e nível de informação. E asseguro: o mesmo vazio (dizem que é consequência do pós-modernismo) que há no coração do jovem de periferia, que se sente ignorado, desprotegido e perseguido, está levando outros da classe média alta, alguns ricos de verdade, a pularem de prédios, viadutos, se enfiarem de cabeça nas drogas. É impressionante!

Temos hoje em Brasília um debate acalorado sobre a diminuição da maioridade penal. Tivesse eu cinco por cento de esperanças em resultados concretos, também estaria, pois, afinal, faço parte do time dos que não aguentam mais tanta violência. O problema é que uma mudança de artigo na lei não vai retirar do coração juvenil a sensação de que a alegria está muito longe. E de que punição é palavra fora de moda entre nós. 

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    Declaração foi dada pelo diretor Hans Kluge, do escritório europeu da organização #itatiaia

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    Sem 'expectativa de redução de preços', entidade cita risco de desabastecimento com fechamento de revendas #itatiaia

    Acessar Link