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Jacinto pergunta e ninguém responde

Quando reconheceu o passageiro como repórter deixou a serenidade e danou a falar...

28/01/2015 às 09:32

Ele é taxista, tem 73 anos, carro novo e jeitão mineiro. Esteve com o médico recentemente e, depois dos exames, ouviu que vai passar dos 100. Diz que topa, apesar de não conseguir compreender mais nada do que ouve, vê e lê nos dias de hoje. Quando reconheceu o passageiro como repórter deixou a serenidade e danou a falar. Era a chance do desabafo. Ou melhor, a oportunidade única de passar a alguém que poderia dividir com milhares de pessoas algumas perguntas que passeiam por seus pensamentos.

Pergunta número 1 do Jacinto: se agora falam sobre a falta de água e pedem a ajuda da população, ameaçando multar, por que, simultaneamente, não anunciam medidas concretas para estancar as perdas e impedir a destruição incessante das nascentes em todo o Estado? Ninguém vai responder, disse eu ao Jacinto. Afinal, vivemos de sustos, não temos compromisso com planejamento ou seriedade com o futuro... Se tiver eleição de dois em dois anos, a gente empurra as verdades para debaixo do tapete (lembra-se do ministro Ricúpero falando disso na TV?). Quem disse que há espaço na nossa Assembleia para estudos e debates decentes sobre a preservação dos mananciais? Ao contrário, o que há naquela casa, permanentemente, é uma tentativa de arrancar um terço da mata do mutuca para fazer mais prédios.

Segunda pergunta do taxista: como podemos aceitar que a Guarda Municipal encontre um cidadão fazendo transporte clandestino de pessoas e, abordado, ele chame os amigos da Polícia Militar que, fardados e armados param o centro da cidade, atiram no rosto de uma moça da Guarda e ainda cantem de galo? Ninguém vai responder, reiterei ao Jacinto. O que vale é o corporativismo e as eternas picuinhas entre corporações que deveriam ser obrigadas a trabalhar unidas, com punição rigorosa para engraçadinhos. Se há alguém fazendo transporte irregular, ilegal, deve ser preso e fim de papo. A alegação de que a Guarda não é polícia é ridícula porque qualquer um de nós pode deter o infrator. 

Tem muita coisa sem resposta. Quem entende uma tentativa de assalto em supermercado, o PM à paisana atuando como segurança privada reage, há tiroteio, matam uma trabalhadora do caixa e a Corregedoria instaura mais um inquérito cujos resultados a gente desconhece. Por estas e outras é que o Jacinto pergunta de novo: como vão exigir dos outros respeito à lei?

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