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Intervenção exemplar

Algumas mulheres estão realizando, quase silenciosamente, a mais brilhante iniciativa de socorro aos necessitados em Ribeirão...

19/02/2016 às 02:39

Algumas mulheres estão realizando, quase silenciosamente, a mais brilhante iniciativa de socorro aos necessitados em Ribeirão das Neves. Como se sabe, trata-se de um município carente de tudo, exceto presos e futuros sentenciados, considerando que crianças e jovens estão entregues à própria sorte, sem políticas públicas que garantam escola em tempo integral, atividades esportivas, enfim, alternativas ao contato prematuro e fatal com o mundo das drogas.

Uma juíza, Lívia Borba, e uma defensora, Daniele Bellettato, deram o passo que se espera de autoridades: procuraram a Prefeitura para saber por que a maioria dos menores infratores estudava em seis escolas. Sempre as mesmas queixas, os mesmos meninos e meninas no mesmo palco. Então, procuraram as diretoras e começaram a conversa, que resultou em projeto de intervenção naqueles estabelecimentos, com ações integradas nos eixos da segurança pública, implantação de mediação no ambiente escolar; fortalecimento de vínculos entre pais e escola; implantação de procedimentos simplificados de apuração de prática de atos infracionais no ambiente escolar, mais confecção de regimento escolar e plano político pedagógico para as escoas. Tudo dentro de um princípio fundamental do Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê intervenção precoce e preventiva para evitar o abandono dos estudos e o ingresso no mundo da criminalidade e das drogas, conforme previsto no artigo 100 do ECA.

A juíza e a defensora contaram com a imediata adesão do promotor da Vara da Infância, da secretária de Educação, e de algumas diretoras, como Alessandra Teixeira Pimenta, que, “há dez anos na rede pública, sofria uma espécie de abandono e achava que ninguém seria capaz de ajudar de fato a escola”. Reuniões com pais foram marcadas, anunciadas em rádio para maior adesão e mães, como Luana Santos, que tem três filhas na rede e está entusiasmada com a mudança.

O que está sendo feito nas seis escolas de Neves não tem nada de complicado. Aqueles jovens que praticam atos infracionais são prontamente levados à diretoria que faz um apanhado do caso e o encaminha diretamente ao Ministério Público... Este repassa para a juíza e, em dez dias dá-se a primeira audiência, com a presença dos pais e das autoridades. A polícia fica fora, os professores não são expostos e os pais advertidos de sua responsabilidade. Resultado: no primeiro ano do projeto, nenhum estudante alvo de apuração de responsabilidades voltou a delinquir no ambiente escolar.

É simples, legal, humano, dá resultado, então, que Deus abençoe essas jovens senhoras, que o projeto chegue a outras partes do Estado e, quem sabe ganhe o Brasil. Afinal, todo grande incêndio começa com uma faísca; então, por que não apaga-la?

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