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Quem de nós, em sã consciência, não é a favor da reivindicação, da luta e da livre manifestação das pessoas? Quem, entre os que defendem de fato as liberdades, pode proibir que os oprimidos gritem a plenos pulmões contras as injustiças...

20/05/2013 às 03:48

Quem de nós, em sã consciência, não é a favor da reivindicação, da luta e da livre manifestação das pessoas? Quem, entre os que defendem de fato as liberdades, pode proibir que os oprimidos gritem a plenos pulmões contras as injustiças, as indiferenças e as omissões? Então, não me acusem de ser contra a democracia porque direi que em todos os espaços que a vida profissional me oferece  - incluindo esse minifúndio – estarei sempre às ordens para reverberar os anseios dos que precisam ser ouvidos. Mas, não me peçam para tolerar mais as interdições de vias públicas sejam elas praças, ruas ou rodovias porque não consigo aceitar. E é simples a argumentação: como a gente pode fechar a Afonso Pena porque 100 ou 200 pessoas querem, em prejuízo de 2,5 milhões de habitantes? Como é possível que num só dia os estudantes de Medicina tumultuem toda a região hospitalar pela manhã e, à tarde, guardas municipais deitem na porta da Prefeitura, fechando todo o fluxo de veículos? Faz sentido os professores bloquearem a Antonio Carlos, numa noite de jogo do Brasil, prejudicando os que iam ao estádio, mas, principalmente, centenas de milhares que só tentavam chegar em casa, na região Norte, depois de um dia de trabalho? E moradores de Esmeraldas, sem água há alguns dias, fechando a BR 040 por horas para reclamar? Como temos eleições de dois em dois anos, nossos governantes são fracos, têm medo de tomar medidas polêmicas, e nossas autoridades policiais se sentem acuadas, não fazendo o seu trabalho de liberação das pistas. A ousadia é tamanha que, nesta semana, embora a Justiça tenha proibido a interdição de todas as pistas, estabelecendo multa de 100 mil reais por dia, em caso de desobediência, servidores da Prefeitura fecharam tudo alegando simplesmente que não haviam recebido comunicado. A presidente do Sindicato da categoria afirmou que se o prefeito não quiser tumultuar a cidade é só liberar o aumento. O prefeito pode até merecer a reprimenda, mas, nós, os pagadores de impostos, que temos compromisso com o trabalho, com a escola, a família, a vida, não. Eu fico duplamente impressionado: com o festival de fechamento de ruas, numa cidade já sufocada pela imobilidade urbana, e o silêncio covarde de governos e da sociedade, aí incluídos nós, os jornalistas, porta-vozes da maioria.

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