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A escolha de Pimentel e o sofrimento de um ouvinte mexeram com minha cabeça.

03/12/2014 às 11:44

Há dias especiais na vida da gente. Ontem, foi um deles. Muitas alegrias, as de sempre, construídas com a rotina que tentamos tornar mais palatável, as piadinhas ruins, o agradecimento a Deus pela saúde, etc. Mas, que dia triste por conta de um assunto que passeia por minha cabeça dia e noite, por conta da profissão, condição de pai ou cidadão brasileiro: a segurança pública! A escolha de Pimentel e o sofrimento de um ouvinte mexeram com minha cabeça.

Primeiro, a escolha. O governador eleito anunciou que o ex-deputado federal Bernardo Vasconcelos será o futuro secretário de Defesa Social. Foi um susto daqueles, pois, a menos que me convençam do contrário, trata-se de uma pessoa que não tem as qualificações para o cargo: saber jurídico, suporte institucional e conhecimento das práticas de segurança para enfrentar o problema mais sério, junto com educação e saúde que é a criminalidade em alta. Na minha cabeça, quem ocupa a pasta tem de ter um currículo digno de respeito por parte do alto comando das polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros, além, é claro, de ser capaz de dialogar com Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, mas, principalmente, de entender como funcionam as instituições e seus dramas – desde os maiores como leis orgânicas e definição de atribuições até a preguiça de fazer blitz ou os lobbies corporativos. 

Depois que externei minha estranheza, recebi dezenas de e-mails de delegados, todos respeitosos, defendendo a indicação com o argumento de que, como parlamentar em Brasília, Bernardo teve boa atuação na área de segurança pública. Até onde sei ele defendeu interesses das policias contra o Ministério Público e, se de fato são gratos, poderiam lhe dar uma placa, uma medalha, enfim prestar uma homenagem, mas, daí a achar que o homem vai dar conta do recado é outra conversa. Não sou dono da verdade, portanto, me deem razões para o apoio, sem apenas dizer que é bom. Falem-me de qualificações para o cargo.

A outra tristeza de ontem foi receber os pais de um policial acusado de algo muito grave. Não cabe aqui deixar qualquer pista que identifique os personagens porque o sofrimento já é muito grande. Mas, como incomoda a cabeça de um repórter diante de uma família destroçada, convencida de que há uma injustiça, porém, sem meios para provar. E como preocupa o fato de que esses familiares ficaram tristes com comentários do repórter, que só fez o seu trabalho e só refletiu em cima de informações das quais dispõe.

Como esquecer Riobaldo, o vaqueiro companheiro de Guimarães Rosa em “Grandes Sertões” e aquela sua frase, definitiva: “Viver é muito perigoso, doutor”. Como é perigoso! E como eu queria acreditar em dias melhores...

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