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Entre as minhas memórias mais agradáveis estão aquelas reuniões no comecinho da noite, no canto da rua, entre pedras e poeira, quando Tio Joca contava estórias.

23/09/2013 às 09:32

Entre as minhas memórias mais agradáveis estão aquelas reuniões no comecinho da noite, no canto da rua, entre pedras e poeira, quando Tio Joca contava estórias. Desprovido de bibliotecas e dos recursos da rede de computadores, ele repetia as mais interessantes quase sempre e a gente ainda queria ouvir de novo. Que saudade! Hoje, o mundo não nos autoriza a ficar na porta de casa, chamar o vizinho para uma prosa ou, no caso nosso, dos homens, dar uma espiada no rebolado da moradora do lado. Na calçada, você pode ser assaltado, ser atropelado e, pior, como temos medo dos estranhos, vai ser difícil dialogar com alguém.  

É impressionante. Primeiro, vieram os apartamentos, verticalizando a moradia. Depois, os shoppings, espaços ideais para quem quer conviver só com os iguais. Mais recentemente, os condomínios horizontais, que a gente chama de “fechados”, embora legalmente eles não existam. Agora, fiquei sabendo através do Frei Beto, que surge um novo conceito: o Atoll, um supershoping de 71 mil metros quadrados, construído junto à cidade francesa de Angers. Além de 60 lojas e 12 restaurantes, o Atoll abriga academias de ginástica, salão de beleza, playground, parques com fontes, árvores e alamedas ajardinadas. Enquanto os pais compram, as crianças brincam em grandes módulos ou assistem DVDs sob cuidados de funcionários especializados. A filosofia do Atoll é simples e, ao mesmo tempo espantosa: fuja de sua casa apertada, do estresse familiar, e ingresse no templo do consumismo, com direito a muito verde, todo o conforto e, principalmente, a sensação de que você é poderoso, pertence ao mundo dos ricos, dos especiais. Lá, no novo shopping, para quem gasta acima do equivalente a 4 mil reais, tem internet, bebidas, revistas, café expresso e muito mais, tudo de graça. Quer dizer, de graça não!

Eu fico me perguntando como ficará essa sociedade em que os diferentes não se falam, sequer se encontram... Fico imaginando os futuros juízes, arquitetos, políticos, jornalistas, aqueles que decidem os rumos das cidades se estes chegarão aos postos apenas com o conhecimento intelectual, quer dizer, sem saber aonde o calo realmente dói para os excluídos. Tenho medo de como será a vida dos meus netos, mas, como já tenho problemas demais, deixar as reflexões filosofias para minhas filhas e ir abraçar amigos no Mercado Central. Ah, e tomar uma, claro!

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