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Homicídios em alta, apuração em baixa

Homicídios em alta, apuração em baixa

Se há algo que não se pode negar aos governos Aécio/Anastasia é a redução das taxas de assassinatos na região metropolitana, especialmente na capital. O programa “Fica Vivo” e outras políticas públicas como a criação do GEPAR - Grupo Especial de Policiamento em Áreas de Risco (que promove contato direto entre policial e comunidade no dia-a-dia) fizeram com que os números caíssem a partir de 2003 quando já tínhamos quatro dígitos na conta dos assassinatos por ano em Belo Horizonte.

As mudanças de comando na Defesa Social e outras correções de rumo, ainda no governo Aécio, esfriaram o entusiasmo. Agora, quando Antônio Augusto Anastasia comanda o Palácio da Liberdade, fica a sensação de que precisam apertar o cerco. Há, sim, denúncias de maquiagem nos números como, por exemplo, escrever lesão corporal e não tentativa de homicídio em um boletim de ocorrências, o que resultará em números mais palatáveis ao final do ano.

Na área de crimes contra o patrimônio temos assistido a um festival de horrores nos telejornais, com os bandidos ignorando solenemente as câmeras, a proximidade de postos de policiamento e antigas medidas preventivas nas moradias, como cerca elétrica e alarme. Dia desses, a Flávia Scalzo, da Record, visitou vizinhos do governador, nas Mangabeiras – região das mais bonitas da cidade, onde a insegurança é a preocupação que mais une os moradores. Mas, de todos os males, o pior é mesmo o crime contra a vida. E os números não mentem: Já são mais de dois homicídios por dia na capital, ou seja, até o penúltimo dia de agosto 531 contra 442 em igual período no ano passado, o que representa aumento de 17 por cento.

Entre as execuções, 15 duplos homicídios e um triplo. O pior é que os números crescem mês a mês e mais em algumas regiões, como o Barreiro, que lidera o ranking de noticias ruins. Responsável por explicar, o delegado Edson Moreira começa com uma frase que não convence: “A situação está sob controle; o aumento é relativo ao ano passado, quando tivemos diminuição e, também, está subindo em todas as grandes cidades, como Belo Horizonte”. Em seguida, ele fala algo grave e que devia ser motivo de preocupação nacional: “A sensação de impunidade anima o criminoso, pois, no máximo, ele vai descansar em algum lugar e comer a custa da sociedade”. Também se queixa de que as pessoas não cooperam, em função do medo de certos criminosos, como um dos mais procurados do momento, o “Quém-Quém” – outra verdade.