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Heróis brasileiros

O que leva um cidadão a ficar na fila duas semanas, esperando sua vez para comprar ingresso de jogo de futebol? Por que as pessoas perdem emprego, vendem o carro ou o lote para ir a uma decisão fora do país?

25/07/2013 às 08:19

O que leva um cidadão a ficar na fila duas semanas, esperando sua vez para comprar ingresso de jogo de futebol? Por que as pessoas perdem emprego, vendem o carro ou o lote para ir a uma decisão fora do país? E aqueles que, após noite em branco, vão para o aeroporto as 6 da manhã esperar o time (que perdeu a primeira) ostentando uma faixa com os dizeres: “Eu acredito”!. Assistimos nos últimos dias demonstrações de amor a um clube de futebol que beiram ao absurdo. Atleticanos estão marcando casamento para Marrocos, país do outro lado do mundo onde, talvez, haverá um jogo no final do ano. Cruzeirenses fazendo promessas para que o rival seja batido hoje à noite. É claro que para os não fanáticos fica sempre a indagação: o que passa pela cabeça dessa gente que ama sem limites?

O professor de inglês e cruzeirense Leo Dutra tem uma explicação: “Humans need to follow something or someone”. Traduzindo: nós, os humanos, precisamos seguir alguma coisa ou alguém. Não há como não concordar. É bom, é da natureza humana, mas é perigoso. Por isso é preciso, como exemplo, ter religiosidade, mas muito cuidado com a religião. Especialmente no Brasil, onde, fora do futebol, a gente custa ter um herói e o perde logo. Ayrton Sena e Anderson Silva são bons exemplos, de morte prematura e recaída dolorosa. E, sem grandes modelos, odiando os políticos, tolerando os novos talentos musicais, sem intelectuais inquestionáveis, sem um papa carismático como Francisco, o brasileiro busca seus heróis no futebol (ainda que o maior ídolo, Pelé, de vez em quando fale besteira). Personagens como Ronaldinho – que não deve durar por aqui – e Montillo – que já foi embora – são os heróis efêmeros, dentro das quatro linhas.

Portanto, prepare-se: independentemente do que acontecer logo mais, ninguém dorme na noite de hoje em Minas Gerais, sobretudo nas grandes cidades e mais ainda na região metropolitana de Belo Horizonte, onde a proximidade aumenta o amor. Só não podemos esquecer que estamos falando de futebol que, no Brasil, dizem, “é a mais importante das coisas menos importantes”. Paciência, ainda que o vizinho exagere. É só por uma noite. É só um jogo. Calma, gente! Para não chorar por anos um ato impensado de segundos. 

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