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“Há males que vêm para o bem”

Uma chacina deve ser tratada como algo bárbaro, indício de doença crônica da sociedade e prenúncio de uma era em que a lei e a ordem estão em segundo plano.

22/04/2015 às 11:50

Por mais distante que esteja, ainda que não tenha parentesco com as vítimas, não há quem não se assuste – mais que isso, lamente profundamente – episódios como o do fim de semana em São Paulo, quando oito homens foram assassinados de uma só vez. Mais que ousadia sem limites, os atiradores não demonstraram apenas a convicção de matar, mas, tristemente, a impressão de que o crime vale a pena, a possibilidade de punição é remota e, se vier, será tão abrandada que justifica o ato mais repulsivo.

Então, sob todos os pontos de vista e em qualquer país do mundo, uma chacina deve ser tratada como algo bárbaro, indício de doença crônica da sociedade e prenúncio de uma era em que a lei e a ordem estão em segundo plano. Mas, ainda menino, aprendi que “a vida tem as cores que a gente pinta” e, desde então, para não me tornar um “prosa ruim” daqueles pessimistas que ninguém aguenta, procuro sempre encontrar nos fatos pelo menos um ângulo positivo... Para seguir andando, acreditando, não enlouquecer com tanta notícia beirando o inacreditável. Pois, neste caso, vos digo que um dos ditados mais repetidos entre os que ouvia na cozinha e perto da saia da minha mãe era o de que “há males que vêm para o bem”. Mãe, o nosso cachorrinho está morrendo! Calma, filho, é da vida, antes ele que eu... Mãe, a filha da vizinha tá grávida! E daí, problema dela... Mãe sempre tem razão, mas, na maioria das vezes, a gente só descobre quando cresce (e, muitas vezes, ela não está por perto para ser reverenciada à altura).

No caso da chacina, acredito sim que a morte coletiva, deprimente, não será em vão porque evidenciará, de uma vez por todas, os estreitos vínculos entre as tais “torcidas organizadas” e o temido crime organizado... Afinal, uma das linhas de investigação tem a ver com o tráfico... Não quero e nem posso afirmar que todo membro de “organizada” é do mal, mas, o histórico e a história delas me permite aferir que são sim organizações absolutamente dispensáveis. Então, façamos do amargor desse limão que é a execução de oito brasileiros de uma só vez uma limonada, unindo-os para devolver aos torcedores brasileiros o melhor de sua essência: curtir, feliz e em paz, de preferencia com os amigos, sua maior paixão que é o futebol. Quando aos bandidos travestidos de amantes da bola, cadeia neles!

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