Eduardo Costa

Coluna do Eduardo Costa

Veja todas as colunas

Mais Notícias

Guerra dos Mundos (modernos)

Mesmo aqueles não aficionados, como eu, são obrigados a reconhecer o valor das redes sociais (que prefiro chamar de mídias).

21/02/2014 às 09:53

Mesmo aqueles não aficionados, como eu, são obrigados a reconhecer o valor das redes sociais (que prefiro chamar de mídias). Afinal, não fossem elas tão definitivas, hoje e amanhã, e o mundo não estaria comentando a compra, pelo Facebook, do aplicativo WhatsApp por 16 bilhões de dólares. Mas, o mesmo homem que é capaz de desenvolver tecnologias fantásticas tem o dom de estragar tudo, usar mal, colocar em risco a necessária parceria entre o saber científico e humanista. Vejamos o que aconteceu quarta-feira em Belo Horizonte. De repente, centenas de pessoas que faziam compras ou simplesmente passavam pela Avenida Nossa Senhora do Carmo entraram em pânico, milhares ficaram em alerta, avisando a tantos quanto conseguissem de que havia um arrastão em curso, incluindo armas pesadas e muito mais. Era tudo criação de alguma mente infeliz que fez do WhatsApp seu veículo de comunicação para espalhar o terror. A velha “brincadeira de mau gosto”. Muito perigosa.

Ou, uma versão moderna do que fez Orson Welles em 1938. Apaixonado pelo teatro, ele produziu uma transmissão radiofônica intitulada A Guerra dos Mundos, adaptação da obra homônima de Herbert George Wells e que ficou famosa mundialmente por provocar pânico nos ouvintes, que imaginavam estar enfrentando uma invasão de extraterrestres. Um Exército que ninguém via, mas que, de acordo com a dramatização radiofónica, em tom jornalístico, acabara de desembarcar no nosso planeta. O sucesso da transmissão foi tão grande que no dia seguinte todos queriam saber quem era o responsável pela tal "pegadinha". Welles virou celebridade, dirigiu um filme que fez o maior sucesso no Brasil – “Cidadão Kane”, casou-se com a incomparável Rita Hayworth, mas, é lembrado em todos os cantos do mundo por sua proeza naquela noite de pânico para a maioria dos americanos.

Nesse mundo de ponta cabeça em que estamos, a cada dia fica mais fácil alguém repetir Welles. Vejam que também na quarta-feira, no Bairro Lagoa, limite dos municípios de Belo Horizonte e Ribeirão das Neves, no meio da tarde todos os comerciantes baixaram as portas das lojas, as pessoas evitaram as ruas e, quando indagadas, respondiam sempre que havia um toque de recolher, em decorrência da morte de um traficante no dia anterior. Ninguém sabia quem dera a ordem, ninguém estivera com os mensageiros da má notícia, mas, como o medo impera e a sensação de que a polícia não dá conta só cresce, todo mundo obedeceu.

Os sinais estão todos aí, tragédias recentes não deixam dúvidas da gravidade do momento. Só nos resta agir. Até que o governo do Estado se mexeu, colocando mais homens nas ruas e anunciando a criação de uma delegacia virtual – reivindicada há mais tempo neste espaço.  Quando puder registrar ocorrência pela internet, o cidadão vai se animar a contar seu infortúnio e aí as estatísticas – mais condizentes com a realidade – devem sacudir até os indiferentes dos nossos poderes constituídos.

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    Entre as drogas estavam 307 quilos de maconha

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    Negócio envolve R$ 7,5 bilhões e a aquisição de 386 unidades de varejo de autosserviço

    Acessar Link