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Greve ilegal?

Greve ilegal?

06/05/2013 às 02:13

Volto a um assunto já abordado várias vezes nesse espaço, nos últimos três meses, para reafirmar o meu espanto diante da indiferença da sociedade diante da greve dos professores.

O fato de o governador não ter se reunido sequer uma vez com a líder dos professores me incomoda, mas, considerando as dificuldades de caixa e os gigantescos números da Educação (são mais de 400 mil profissionais), posso compreender razões apresentadas por suas auxiliares para negar reajuste maior.

O que realmente me corrói é a ausência do meu sindicato – dos Jornalistas – da OAB, da Assembléia, da Federação das Indústrias, enfim, todos nós, mineiros, temos o direito e o dever de palpitar, buscar o entendimento, salvar o ano letivo de milhões de jovens pobres desse estado.

Vem um desembargador e dá uma canetada dizendo que o movimento paredista é absurdo... Ora, será que ele toparia viver com 700 reais por mês? Será que ele acha razoável essa discussão, se o piso deve ser mil e pouco ou mil e quinhentos reais?

Outra coisa que me envergonha é a postura de colegas procurando desmoralizar os líderes do movimento, com essa história de greve política.  Nós, jornalistas, tínhamos de respeitar os professores, pois, com raras exceções (felizmente, estou entre elas) nossos salários são tão ridículos quanto os dos mestres. E nós estamos jogando no lixo o nosso passado de escola pública, contribuindo para um mundo com aulas ainda mais mentirosas porque, se esses já desolados professores forem humilhados será o fim de toda e qualquer esperança...

Eles estão no fundo do poço. Pena é que governador, deputado, jornalista chique não conversa com um deles... Aqui, trechos da carta que me enviou o professor Elivelto Aparecido Nunes, atualmente fora do ofício por questões de sobrevivência: “Sou professor, mas não estou dando aula nesse momento. É com muita tristeza que venho acompanhando toda a greve. Falo sobre o desequilíbrio de forças entre professores e todo resto. (...) Sou como você, Eduardo, vim de baixo, família humilde, faculdade com muito esforço. O Brasil não é pobre; é injusto e conservador. Sei também que educação é a única ferramenta capaz de mudar isso. É por isso que ela é tão maltratada. Sei que a maioria do povão gosta e confia no seu trabalho. Por isso nunca se esqueça de Inácia de Carvalho, dos pardos, pretos e pobres desta Minas tão rica. Faça o que puder por estes. Não digo tomar bandeira partidária e afins até porque não é seu papel. A classe mais humilde não tem conhecimento e nem posições políticas e por isso não tem o retorno que por direito é seu. Obrigado de um professor triste, desanimado como a grande maioria da classe”.

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