Eduardo Costa

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Governadores, acordai-vos!

06/05/2019 às 11:32

Rovena Rosa/Agência Brasil

Nada é mais importante que a percepção dos governantes do que é realmente importante para melhorar a vida dos cidadãos. Neste momento, fora o de São Paulo, João Dória, de longe o mais preparado e melhor de todos, os governadores não perceberam que está em marcha um trabalho de bastidores no Congresso Nacional para deixar as questões locais longe da reforma da Previdência. O que chamam de “centrão”- grupo que detém o maior número de parlamentares na Câmara e existe para achacar, isto é, são deputados do chamado baixo clero, porque sem maior expressão, liderados por velhas raposas, que só têm um objetivo: trocar votos por vantagens, verbas, obras, cargos, favores, etc., quer por de lado a previdência estadual, na discussão da reforma. Como assim? Por quê? Vou explicar.

A onda de indignação antipetista, que levou Bolsonaro, Zema e muitos outros ao poder, encheu o Congresso de policiais civis e militares. Espertos, sabem que se desvincularem as questões estaduais da reforma em nível nacional terão muito mais força para manter as coisas como estão. Ou o leitor acha que há outra explicação para Anastasia, Pimentel e Zema não terem feito as reformas até hoje em Minas? Lembram quando o Temer chamou para o acordo de recuperação fiscal e avisou que os governadores interessados teriam de congelar salários? Meia dúzia de deputados que representam policiais fizeram uma visita a Pimentel e ele imediatamente disse que era contra. Mas, nada fez para evitar o estrondoso déficit do Estado.

Faltam, no orçamento de 2019, R$ 12 bilhões para o Estado pagar seus compromissos, mas, se computadas outras pendências, o rombo é de R$ 30 bilhões. Todos sabemos que o estrago maior vem exatamente da previdência.

Os números não deixam dúvidas: Minas Gerais tem 347 mil servidores na ativa e 311 mil aposentados – é claro que os inativos vão superar os que estão ralando brevemente. Mais aposentados e pensionistas ganham, em média, R$ 4.999 todo mês enquanto os que estão no exercício recebem, em média, R$ 3.847 – 30 por cento menos. Você pode dizer que está certo, afinal, é na velhice que a gente precisa de mais dinheiro, para fazer face ao aumento de despesas, especialmente com a saúde. Concordo. Mas, o Estado não aguenta; o caixa não fecha.

E não é o caso apenas de Minas. Existem mais 13 estados na mesma situação. Por isso o Dória chamou os colegas das regiões Sul e Sudeste e fez uma carta de apoio à reforma de Bolsonaro. Ele sabe que se a situação dos Estados não for consertada lá, ninguém conseguirá nas assembleias legislativas. E não haverá providência que salve Estados da derrocada definitiva, do caos permanente.

As contas não fecham. Se não houver controle de salários e de aposentadorias no serviço público, nenhum gestor conseguirá a estabilidade necessária. Governar não é apenas pagar salários; reparem a educação, a saúde, a segurança, como estamos sem investimentos... Sem falar na infraestrutura, estradas, portos, hidrovias...

Já pensaram no que será de nós em dez anos, se não investirmos agora? O problema não está só nos servidores, mas, como a bola da vez é a previdência, é preciso ter coragem de propor esse debate.
 

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