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Freire explica o PT

Aproveitei o Carnaval para concluir a leitura de “O livro da política”, interessante trabalho de europeus que resume a obra dos principais pensadores em toda a história da humanidade

Aproveitei o Carnaval para concluir a leitura de “O livro da política”, interessante trabalho de europeus que resume a obra dos principais pensadores em toda a história da humanidade. Da América Latina só entram três – Simon Bolívar, Che Guevara e Paulo Freire. O nosso educador é citado como alguém que lutou para diminuir o analfabetismo no Brasil e para um melhor entendimento da luta contra a opressão política. Partindo das definições de Karl Marx e Antonio Gramsci, compreendendo dois grupos – opressores e oprimidos – o brasileiro buscou as condições necessárias para romper o ciclo de opressão. Paulo Freire acreditava que o ato de oprimir desumaniza as duas partes e que, uma vez libertados, há o risco de os indivíduos repetirem a injustiça que experimentaram.

Nós ouvimos a vida inteira de psicólogos e psiquiatras que o cidadão abusado na infância tem maiores chances de repetir a barbaridade quando adulto. Mas, e na política, por que um dos brasileiros mais importantes do século passado disse que, durante o estágio inicial da luta, os oprimidos tendem a se tornar opressores? A primeira coisa que me veio à cabeça foi a reação de alguns petistas diante do julgamento do “mensalão”. Mesmo depois de dez anos, eles ainda acreditam que foram vítimas, que Zé Dirceu é um grande líder e Joaquim Barbosa um perseguidor implacável.  Mesmo depois do julgamento da semana passada, que deixou a maioria de nós boquiaberta, eles ainda enviam e-mails que pretendem desconstruir a imagem do relator do processo e presidente do STF.

 Só queria que admitissem o cometimento de um ato ilegal, ainda que abundantemente praticado no Brasil. Sempre procurei diferenciar bandido de criminoso. Portanto, não identifico Dirceu, Genoíno ou Azeredo como bandido. Mas, sabemos, tanto petistas quanto tucanos usaram de meios ilegais para levantar recursos, tocar campanhas e projetos de poder. Quando vejo o advogado renomado que defende Delúbio dizer que ele e seus amigos só queriam fundar um partido, pergunto: qual é, então, o novo significado da palavra quadrilha? Quando verifico que as penas dos operadores do esquema foram muito mais altas que as dos políticos, e encontro companheiros deles os defendendo penso em Apolo Heringer e tantos outros que ajudaram a criar o partido e depois se escandalizaram e concluo: por que, durante 30 anos alimentaram nossa esperança de que seriam diferentes e repetem os crimes, a falta de ética, e reclamam. E lembro-me da frase de Paulo Freire: “A maior tarefas humanitária e histórica dos oprimidos é libertar a si mesmos e seus opressores”. Só pode ser isso. O Lula e seus amigos foram tão maltratados, especialmente pela grande mídia, quando faziam suas caravanas da cidadania, sonhavam com dias melhores para os trabalhadores, que, no poder, resolveram fazer tudo do mesmo jeito, com a diferença de que eram bons na oposição e, hoje, até aguentar o PMDB pedindo cargos todo dia eles aguentam!