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Filhos

Carlito, amigo recém-descoberto, é um dos companheiros de caminhada nas montanhas de Nova Lima. Dia desses, ele comentou que a esposa, Sônia, gostou de um texto que escrevi sobre família.

24/02/2014 às 10:38

Carlito, amigo recém-descoberto, é um dos companheiros de caminhada nas montanhas de Nova Lima. Dia desses, ele comentou que a esposa, Sônia, gostou de um texto que escrevi sobre família. Depois, eu e o companheiro falamos de outros assuntos, mas, fiquei com a palavra mágica num cantinho do consciente… Família. E, adiante, Carlito, dentista famoso no Barreiro, falou de filhos. E disse algumas coisas extremamente simples, mas, de grande importância. Falou mais ou menos assim:

“Filho dá uma grande despesa; é um grande investimento. Filho é projeto para, pelo menos, 25 anos. E, vale lembrar, é o olho do dono que engorda a boiada, então, a gente tem de cuidar. Mas, olha que engraçado porque é esse cuidar que se torna a grande alegria da gente e, se por um lado, nos dão despesa, são os filhos que nos permitem melhorar de vida”.

Eu sei que parece conversa de Riobaldo, o grande vaqueiro de “Veredas”; é isso mesmo. Quando dois amigos cinquentões caminham para continuar vivendo e conversam para fazer do exercício um prazer a prosa é solta, doida, filosófica, quase sempre sem o menor compromisso. Mas, vejamos por partes quanta informação há na fala do amigo. Filho é mesmo um projeto que requer planejamento e juízo, pois, se você quiser criá-lo bem, com conforto e bom ensino, tem de se preparar para gastar muito por um quarto de século (no meu tempo era só uns 11 anos, hoje, dizem que a adolescência acaba aos 40). E, assim como o fazendeiro e o gado, não basta por no mundo, pagar as contas e atender aos desejos. Rico ou pobre, se não cuidar da plantinha, regar, conversar, acompanhar, dizer não, brigar, cobrar, chorar junto, pode-se criar uma encrenca infernal. Quantas famílias estão em polvorosa porque um de seus membros está chafurdado nas drogas e só arruma tristeza?
 

Agora, vejamos a parte realmente importante. Depois de certa idade,  descobrimos que cuidar dos filhos e esperar os netos são as duas maiores obras que realizamos em nossas existências. E as que realmente valem a pena porque são as pessoas nas quais podemos confiar. De verdade. E, sobre o gasto que os filhos geram, é essencial ter em mente o que Carlito diz: só depois que somos pais e mães conseguimos realmente progredir no patrimônio. Parece que, ao nos sugerir crescer e multiplicar, Papai do céu nos dotou de um senso de responsabilidade que aumenta sensivelmente quando se tem bocas esperando comida em casa. Não é assim com o casal de canarinhos que está chocando? Tente atravessar na frente de uma onça quando ela está em busca de alimento para os filhotes.

Resumindo a ruminação sobre a prosa com Carlito: os filhos são sim uma grande dor de cabeça, dão uma despesa danada, exigem atenção integral, mas são a melhor coisa do mundo e quem não pode tê-los por razões biológicas pode correr para adoção para experimentar algo indizível que insisto em repetir: a vida da gente tem duas metades - antes e depois da paternidade.

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