Eduardo Costa

Coluna do Eduardo Costa

Veja todas as colunas

Mais Notícias

Feridas incuráveis na alma

Feridas incuráveis na alma

06/05/2013 às 02:13

Todos nós – em especial os cristãos – somos treinados para não guardar rancor, perdoar sempre e olhar para o futuro, isto é, esquecer eventuais decepções. Mas, convenhamos, não somos perfeitos, não somos espíritos desenvolvidos e, por isso, algumas coisas não conseguimos enfiar goela abaixo. Sabe aquele colega de trabalho, em quem você tanto confiava e, de repente, o prejudicou por uma simples promoção? Ou aquele chefe que, na hora “H” lhe negou um direito, deixou de cumprir uma promessa? E aquela namorada, que jurou amor eterno e foi para os braços de seu melhor amigo? Bom, isso tudo dói, não há dúvida. Pior é quando a dor da perda, do inesperado, da traição, é coletiva. Explicando melhor: você é surpreendido por algo absolutamente inesperado, que corresponde a uma paulada na cabeça e, simultaneamente, um cruzado de direita de um lutador peso-pesado no queixo, fica desnorteado, nocauteado. Quando recupera os sentidos, olha em volta e não encontra ninguém para ajudá-lo a levantar, apoiar com palavras de estímulo porque os outros também estão na lona. No chão. Aí, é o que a gente pode chamar de ferido na alma. E exemplos não faltam. Escolhi dois para tratar aqui envolvendo a maior paixão e a maior irritação dos brasileiros. Primeiro, o futebol: há anos, melhor, há décadas, sabemos que o Cruzeiro é melhor que o Atlético, mais organizado, de melhores atletas... Mas, nós, atleticanos, nunca duvidamos da capacidade de reação do Galo, nunca cogitamos mudar de lado. Mas, aquela derrota de 6 a 1 para o Cruzeiro no ano passado diminuiu em muito a massa atleticana. O que ouço de gente dizendo que não quer saber mais do alvinegro é espantoso. Seria o nosso grande dia; bastaria um golzinho e nosso maior rival estaria na segunda divisão, experimentando o sofrimento que já nos envelheceu. Perdemos. E foi de goleada. Não há nem haverá explicação. Nunca. Outra gigantesca decepção vem da política, que tanto maltrata o coração dos brasileiros. Que a maioria esmagadora dos nossos representantes no Congresso Nacional têm ligações espúrias com bandidos e arranjam sempre um financiador indecente para continuarem no poder, isto a gente já sabe há muito tempo. Mas, essa descoberta de que o Demóstenes Torres é um safado doeu demais. O que tem de brasileiro jogando a toalha de vez com a política é assustador. Aquela goleada e esse ladrão são feridas que já mais serão cicatrizadas.

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    Enquanto o grupo ganha cerca de US$ 15 mil por minuto, mais de 163 milhões de pessoas estão na faixa da pobreza

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    CONTEÚDO PUBLICITÁRIO O endividamento das famílias aumentou e um dos principais motivos é a utilização do recurso que cobra um dos juros mais altos do mercado. Os juros do ro...

    Acessar Link